A economia capixaba está aquecida. O Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) divulgou os resultados mais recentes. O PIB do estado cresceu 3,1% no acumulado do ano no 2º trimestre. Resultado acima da média nacional, que foi de 2,9% - também um bom resultado.
Todos os setores da economia cresceram. Mas o setor serviços cresceu mais: 4,5% do setor serviços; 1,3% da indústria em geral; e 0,7% do comércio varejista ampliado. Também no plano nacional o setor serviços comandou o desempenho. O consumo liderou o crescimento.
O Espírito Santo também melhorou a sua posição relativa no ranking da competitividade entre todos os estados do país. Subiu para o 6º lugar no ranking. São Paulo lidera. Seguido por Santa Catarina, Paraná, Distrito Federal Rio Grande do Sul, Espírito Santo, e Minas Gerais em 7º.
Além da boa colocação na competitividade regional, o ES ainda mantém a Nota A no Tesouro Nacional. Competitividade e responsabilidade fiscal. Ao lado de um quadro institucional de estabilidade política. São requisitos importantes para a atração de investimentos nacionais e internacionais.
Para completar o quadro de bons índices fiscais e de gestão no Estado, a Capital (Vitória) se posicionou em 3º lugar no ranking nacional de eficiência: cidades do Brasil que fazem mais gastando menos. À frente de Vitória, apenas Botucatu e Belo Horizonte.
O crescimento é virtuoso? Infelizmente, ainda não.
Assim como no plano nacional, aqui ainda temos que melhorar a produtividade, a competitividade e a baixa taxa de investimentos. No agregado nacional, a taxa de investimentos chegou a apenas 17%. Abaixo dos 25% necessários para a economia brasileira crescer a taxa de 5,0% ao ano.
No plano nacional, a reforma tributária terá efeito positivo na produtividade e no aumento do PIB potencial, com efeitos positivos regionais. No plano regional, o governo Casagrande já impulsiona o necessário aumento nos investimentos no setor do turismo e dos serviços e da inovação. Mas ainda aquém do necessário até 2032, quando terminam os incentivos fiscais.
Esse gargalo potencial já está sob a mira do governo estadual e da iniciativa privada. Vem daí o foco na atração de investimentos nacionais e internacionais. Sabendo-se que os investimentos internacionais tendem a crescer no Brasil em 2025.
O Brasil terá ganhos com a reforma tributária e com a transição energética. O ES também. Mas é preciso avançar na agenda da reestruturação de gastos públicos. Aqui e no país. Abrir espaço para melhorar a taxa de investimentos.
O governo capixaba tem ainda que, além do esforço de investimentos no turismo, intensificar (mais ainda) as articulações políticas nacionais (governo federal) e internacionais (investidores estrangeiros) para superar gargalos logísticos. A logística, sabemos, é um patrimônio geoeconômico do ES.
Nessa questão da logística e infraestrutura, temos ainda a chamada agenda velha: BR 262, ferrovias e Serra do Tigre, em Minas Gerais.
Tais iniciativas, já em curso, no turismo, na logística e na inovação são cruciais para superar o nosso problema estrutural da condição de plataforma de exportação de commodities. E nossa dependência relativa da economia do petróleo.
Tudo somado, a conjuntura dá sinais virtuosos para o Espírito Santo. Mas os desafios estruturais permanecem. É uma agenda de Estado. Não apenas do governo estadual.