As campanhas para prefeitos e vereadores começam a partir de sexta-feira, dia 16. Dada a já proverbial resistência do eleitorado à política e aos políticos, os candidatos “promesseiros” correrão o risco de receber cartão vermelho. Os que são candidatos à reeleição sabem bem disto.
Demagogia, não. Estelionato eleitoral, nem pensar. O eleitor está escaldado e vacinado contra o blablablá. Ele quer propostas factíveis para a sua cidade, o seu bairro, a sua rua. Com postura de candidato que passe confiança e empatia. Comunicação direta e reta e olho no olho.
Ideologia, não. Gestão e entrega, sim. Ainda mais porque já está no
horizonte uma tendência de piora nas contas dos municípios. O cenário econômico e fiscal tende a ficar mais incerto e mais restrito. Diferentemente do cenário fiscal benigno de 2020/2024. Neste período recente, em função da pandemia da Covid 19, as receitas aumentaram com a injeção de aportes federais robustos. E as despesas diminuíram com a regra que restringiu gastos com pessoal.
Esse efeito benigno está terminando. Além do mais, a partir de 2026, ainda haverá o efeito do início gradual da
reforma tributária. Com ela, o cenário pode piorar para aqueles municípios que não se ajustarem ao fato de que os impostos serão cobrados no destino. Quem tiver população pequena e pouco consumo perderá receitas.
Já é urgente pautar o turismo e as atividades da economia de serviços como prioridades. Sem mencionar que a partir de 2032 o Espírito Santo terá o fim dos incentivos fiscais e dos seus efeitos multiplicadores na cadeia produtiva.
Portanto, haverá necessidade de ajustes fiscais e revisão de prioridades. Com focos em reformas administrativas e previdenciárias; mais inovação; mais adoção de tecnologias para acelerar modelos de governo digital; e o embarque do município na viagem sem volta da transição climática e aceleração da energia renovável.
Pesquisas já mostram prioridades atuais dos eleitores. Segurança e saúde no topo. Com as mudanças demográficas e o envelhecimento da população, será preciso intensificar, ao mesmo tempo, focos na terceira idade e na educação infantil. O envelhecimento da população cria mais demanda para serviços aos idosos e subtraem força de trabalho. Investir na educação infantil e básica será cada vez mais um imperativo. A força de trabalho do futuro.
As campanhas, então, precisam mostrar capacidade de entrega e cuidado com a gestão, para além da ideologia e do discurso vazio. Com o propósito de construir uma campanha capaz de dialogar com eleitores céticos e descrentes.
Para os incumbentes e candidatos à reeleição o desafio é mostrar capacidade de fazer mais e melhor, agora com horizonte de ajuste fiscal. Lembrando que os eleitores mais atentos já verificaram vários casos de prefeitos que, uma vez no segundo mandato, foram acometidos pela síndrome da fadiga de material. Terminaram mal avaliados.