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Eleições 2022

Brasil, um país à procura de uma bússola política e econômica

É mudar ou mudar. Isso vale para Bolsonaro, para Lula ou para uma candidatura da terceira via. Vai acontecer? Aí, tem que combinar com Sua Excelência, o eleitor

Publicado em 19 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

19 mar 2022 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Bússola
Bússola para o país: o ímpeto de um novo processo de mudança advirá da formação e da legitimidade de um novo bloco de poder Crédito: Freepik/Divulgação
Enquanto os políticos estão ziguezagueando para cumprir o prazo das filiações partidárias, a sociedade está atordoada com a piora na conjuntura. Está claro que 2022 está contratado: mais carestia, menos crescimento, mais pobreza. Está claro, também, que 2023 precisa ser recontratado: como criar forças políticas e econômicas para superar a piora da conjuntura?
Com esta difícil equação a ser resolvida, o foco está nas candidaturas presidenciais. Basta andar pelas ruas para ouvir brasileiros já conversando sobre em quem votar e por quê. No vai e vem das pesquisas de intenções de votos, as atenções estão em Bolsonaro Lula, enquanto a terceira via patina. A incógnita crescente é: que candidatura vai conseguir amealhar força para ajustar a bússola do país?
Vêm daí algumas constatações políticas que só fazem crescer a incógnita. A primeira é a de que o país já vive num semipresidencialismo “de fato”, o do Centrão diante de um presidente mais frágil. A segunda é a de que, a se confirmar a repetição do peso do não voto (brancos, nulos e abstenções), o futuro presidente terá déficit de legitimidade – como já tiveram Dilma Rousseff em 2014 e o próprio Bolsonaro em 2018. E a terceira é a de que as mudanças esperadas requerem um novo pacto de poder.
O problema da difícil costura de um novo bloco de poder é o mais intrincado. Hoje, o bloco de poder tem como espinha dorsal a predominância de parte da burocracia estatal – no Executivo, no Judiciário e no Legislativo –, que se articula para conquistar e preservar benefícios e direitos, e parte do empresariado, que se articula para preservar isenções, subsídios e desonerações. Essa espinha dorsal sustenta a força do Centrão.
Assim, o ímpeto de um novo processo de mudança advirá da formação e da legitimidade de um novo bloco de poder. Com força suficiente para um processo de restauração. Para além do sistema de partidos, bloco de poder, na definição de Fernando Henrique Cardoso, “é algo que engloba, além dos partidos, os produtores e os consumidores, os empresários e os assalariados, os cientistas e os criadores de cultura, e que se apoia também nos quadros civis e militares das grandes carreiras de Estado”.
Nesse contexto, o presidente eleito vai precisar conquistar o apoio do Congresso, num “modus vivendi” de uma Constituição parlamentarista. Isso requer a formação de uma coalizão de governo que leve em conta a preferência mediana do Congresso, isto é, o peso relativo dos diversos partidos políticos. Governar com a preferência mediana é fundamental.
Lula, por exemplo, teve problemas porque o PT chegou a ter 60% dos ministérios e apenas 18% das cadeiras na Câmara Federal. Bolsonaro também teve esse problema, até entregar os anéis para o Centrão. Além disso, deverá ser necessário votar no Congresso o projeto do semipresidencialismo, para formalizar o sistema, a vigorar a partir de 2026.
Essa percepção de que as mudanças sócio-econômicas requerem capital político respaldado em novo bloco de poder precisa guiar as alianças da candidatura que, uma vez vitoriosa nas urnas, vai governar o Brasil. Pois que as mudanças precisam mexer no cerne do pacto de poder vigente. Do contrário, a permanência do status quo vai aprofundar conflitos e impedir a superação da anomia social.
É mudar ou mudar. Isso vale para Bolsonaro, para Lula ou para uma candidatura da terceira via. Vai acontecer? Aí, tem que combinar com Sua Excelência, o eleitor. Começando pela mobilização para diminuir o peso do não voto.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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