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Economia

Vendas de Natal superam expectativa e comércio do ES segue o embalo

Compras do período devem movimentar R$ 36,3 bilhões. Cerca de 13,2 milhões de brasileiros deixaram para comprar os presentes em cima da hora

Publicado em 20 de Dezembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

20 dez 2019 às 04:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos Angelo Passos
Compras de Natal Crédito: Divulgação

A arrancada final da economia em 2019 é o Natal. O ano não foi bom em termos de crescimento: cerca de 1%. Mas o Natal está bombando nas lojas. O resultado comercial já se mostra acima do esperado. Ou seja, as vendas superam o previsto e devem movimentar R$ 36,3 bilhões no país - quantia muito expressiva na difícil conjuntura atual. Animada, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aumentou de de 4,8% para 5,2% a expectativa de crescimento do volume negociado em 2019, em comparação com o ano passado.

Já Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) estimam que aproximadamente 13,2 milhões de brasileiros deixaram para comprar os presentes em cima da hora. Isto quer dizer que a festa consumista vai engrossar nos próximos dias. Sempre é assim. Faz parte do velho hábito de deixar tudo para a última hora. Também reflete a estratégia de procurar sem pressa as promoções mais vantajosas.

E o comércio capixaba está no embalo. As vendas de novembro alcançaram R$ 627,7 milhões, de acordo com os números da Secretaria de Estado de Fazenda. Significa crescimento de até 20% no faturamento em algumas cidades, em relação ao mesmo mês de 2018 - superando estimativa do próprio setor. Não é à toa que o Índice de Confiança dos Empresários do Comércio de Vitória (Icec), calculado pela Fecomércio-ES, está em alta.

Aliás, esse índice cresce (modestamente, diga-se) desde agosto, quando a economia começou a dar sinais, embora tênues, de maior dinamismo. Registre-se, porém, que no interior do Estado, o varejo se encontraria em melhor situação se o preço do café, principal fonte de renda de dezenas de cidades, não estivesse deprimido. Essa situação reduz muito o volume de dinheiro que deveria estar o consumo e a receita das prefeituras.

As vendas dos supermercados, de vestuário, de artigos de uso pessoal e domésticos serão as campeãs do Natal 2019, segundo a CNC. Todo mundo sabe as principais razões que estão impulsionando as compras de Natal : o saque aumentado do FGTS (passou de R$ 500 para R$ 980), o avanço (embora lento) do emprego (quase 20 mil novos postos de trabalho foram abertos em 2019 no Espírito Santo), inflação muito bem comportada, juros baixos, e ampliação dos prazos das operações de crédito. Outro fator que ajuda o consumo é o avanço da economia informal.

Esse fenômeno ocorre há cinco anos seguidos, e, obviamente, foi agravado nos anos de recessão. As sequelas permanecem, e hoje a atividade informal responde por 17,3% do PIB do país, de acordo com o Índice de Economia Subterrânea (IES) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial.

A ceia natalina do cidadão comum certamente seria mais farta se a carga de impostos embutida nos produtos não fosse tão pesada. Levantamento da Associação Comercial de São Paulo mostra o percentual de tributos nos preços de vários produtos. Por exemplo, vinho importado, 69,7%; espumante, 59,5%; cerveja (em lata ou garrafa), 55,6%; vinho nacional, 54,7%; refrigerante em lata, 44,5%; azeitonas, 36,5%; castanhas e nozes, também 36,5%; panetone, 34,6%; peru e frios, 29,3%. Paga quem pode, e infelizmente, muita gente não pode.

De acordo com o IBGE, o Brasil tem hoje 13,5 milhões de pessoas em situação de miséria, abaixo da linha de pobreza. Essa é parte triste do cenário natalino. São necessários muitos esforços durante o ano inteiro (não apenas no Natal, distribuindo cestas) para resgatar esses irmãos.

Angelo Passos

Angelo Passos Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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