Trump destruiu as previsões sobre a economia mundial em 2020. Não se conhecem os desdobramentos do ataque aéreo dos Estados Unidos a Bagdá, no Iraque, que matou o general Qassem Suleimani, um dos homens mais poderosos e temidos do Irã, que jurou que destruiria Israel. Avaliava-se que a sua vida ameaçava a de milhares de pessoas, mas sua morte não pressupõe paz. Ao contrário. O falecido causa desassossego.
O Oriente Médio está sob tensão máxima, fator que tende a corroer perspectivas do comércio internacional e do crescimento global. Antes, a fonte de incertezas era o embate comercial entre EUA e China, que permanece sem solução. Agora surge novo foco de adversidade nas relações entre países, o que preocupa muito o Espírito Santo, dada a abertura de sua economia para o exterior.
Para alegria da indústria bélica americana, presidentes republicanos dos EUA cultivam gosto por conflitos naquela região, conforme mostraram os Bush, pai e filho. Agora é vez de Trump exibir violência. Ele ele escolheu o clima eleitoral para atacar. O bombardeio ordenado por ele, Trump, é declaração de guerra dos EUA ao Irã.
As consequências têm dimensões imprevisíveis. O Irã está tomado por ira. Possesso. O seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei promete vingança severa. Em comunicado pela TV, afirmou que a execução do grande militar (herói nacional) dobra a motivação da resistência contra os EUA e Israel. No mesmo tom, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse que agora sua pátria está mais determinada a lutar contra "o expansionismo americano", e que, "sem dúvida, o Irã e outros países que buscam a liberdade na região se vingarão".
O medo da Terceira Guerra Mundial se espalha nas redes sociais, após o assassinato do general do Irã - que construiu importantes alianças dentro e fora do Oriente Médio. De que forma reagirão essas alianças? E a possível tréplica dos EUA, como seria?
Bolsonaro nutre simpatias declaradas por Trump e por Israel, mas espera-se que tenha o bom senso de não tomar partido nessa confusão. O papel do governo brasileiro é administrar os impactos econômicos que já começam a surgir, por meio da alta do preço do petróleo e do dólar. Se as mexidas nessas variáveis durar muito tempo, desarrumarão o caminhar da economia e se refletirão na inflação, afetando o dia a dia dos cidadãos, principalmente os de baixa renda.
De antemão, já se pode dizer que a tensão no Oriente Médio reduz as chances de novo corte na Selic. No futuro, dependendo dos desdobramentos, surtirá efeitos negativos sobre decisões de consumo e de investimento.
Se durar, a alta do preço do petróleo fará bem aos cofres do governo do Espírito Santo e de prefeituras capixabas. Engordará os montantes referentes a royalties e participações especiais. Em contrapartida, eventuais entraves ao comércio internacional (decorrentes das mesmas tensões geopolíticas que tornam mais caro o barril de petróleo) poderão desacelerar o PIB capixaba e reduzir a arrecadação tributária, além de trazer outros percalços, inclusive na área social.
A solução defendida por Bolsonaro para amenizar a elevação do preço do petróleo é a abertura de mercado. "Temos de quebrar monopólio" (que a Petrobras exerce, na prática, sobre o refino, com 13 grandes refinarias). Paulo Guedes tem a mesma opinião. O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, diz concordar.
Na verdade, o Brasil espera por isso há muito tempo, para aliviar o bolso dos consumidores. Sabe-se que demolição de monopólio não ocorre instantaneamente, da noite para o dia. Mas, é preciso começar, o quanto antes. Ideal é que não passe de 2020.