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Na mira

Secretário de Cultura que posa com arma não tem condições de liderar

Convenhamos, uma pessoa que se mune de metralhadora para fazer média com seus admiradores não tem condição de liderar as ações governamentais numa área onde atuam brasileiros que pensam com a própria cabeça

Públicado em 

02 out 2020 às 05:00
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Mario Frias, secretário de Cultura, posa com fuzil nas mãos
Mario Frias, secretário de Cultura, posa com fuzil nas mãos Crédito: Reprodução/Instagram
Mais uma vez, eu tenho vontade de escrever crônica falando de Amora, tamanhos os disparates e contrassensos que pipocam lá em Brasília. Basta lembrar que, na semana passada, um conselho nacional, criado para cuidar da proteção do meio ambiente, se prestou a tentar desmantelar uma legislação que protege os nossos manguezais e as nossas restingas contra a ganância de uns poucos brasileiros espertos.
Quero crer que a Justiça vai conseguir recolocar as coisas nos seus devidos lugares, garantindo a continuidade da proteção aos caranguejos, aratus, siris, e todas as espécies de peixes e moluscos que se utilizam dessas áreas para viver e para reprodução.
Como se tal insensatez colegiada não fosse suficiente para estragar a semana de muitos cidadãos, um jornal paulista estampou, na terça-feira passada, uma foto do secretário nacional de Cultura posando com uma metralhadora, dessas bem grandes e potentes, nas mãos. A cena demonstra evidentes sinais de prepotência e pobreza de espírito. É uma imagem patética, porque faz crer que a gestão cultural agora vai ser feita com rajadas de balas de grosso calibre, e que divergências de opinião e uso descontrolado da criatividade e do pensamento independente estão na mira. E quem achar ruim, que se mude daqui.
Convenhamos, uma pessoa que se mune de metralhadora pra fazer média com seus admiradores não tem condição de liderar as ações governamentais numa área onde atuam brasileiros que pensam com a própria cabeça e, sobretudo, que optam por viver dos sons, das cores, dos traços, das palavras, dos gestos, dos movimentos, das imagens e das formas, que fazem bonito e inusitado para fazer graça, emocionar, provocar, surpreender, impactar e encantar.
Me dá um frio na espinha só de imaginar que esteja circulando nas redes sociais a fotografia de uma autoridade federal segurando uma arma poderosíssima, posando de homem de confiança do chefe, com delegação para intimidar quem, por função e obrigação, deveria apoiar, estimular e valorizar para o bem do país.
Pode ser que eu esteja fazendo suposições infundadas, mas, se verdadeiras, convém que o pessoal do Centrão dê uma boa guaribada nessa área também. E que seja bem rapidinho.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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