É com satisfação que informo aos leitores, sobretudo os mais velhos, que a proposta de reunir forças e convicções de avós em favor da defesa de nossos netos contra os males dos joguinhos eletrônicos mereceu declarações de apoio e solidariedade. Vários deles se disseram preocupadíssimos com o que estavam vendo. Duas pessoas queridas, que passarão à condição de avós em breve, prometeram se preparar para enfrentar a situação quando o problema se apresentar.
Amiga de Brasília contou que sua filha, mãe da sua neta, não tem conseguido dar conta de negar o "posso jogar?". Atenta, passou a oferecer papel, pincel e lápis de cor para induzir a menina a desenhar, tendo, inclusive, autorizado que pintasse na porta do seu guarda-roupa. Em conversa com ela sobre o valor dos quadros de Chagall, a danadinha lhe perguntou se ela iria vender a tal porta do armário.
Em uma outra linha de enfrentamento, um velho amigo, lá de Viena, disse que já está tomando as devidas providências: resolveu se aperfeiçoar no controle de sticks e botões para jogar contra os miúdos, que agora se gabam, com os amigos, de que o avô performa.
Por aqui, tratei de fazer a espada que Biel me pediu e já estou me programando para produzir um arco e flecha poderoso, atendendo o pedido de Quim Quim, de modo a que Bento, meu filho, possa levar para São Paulo, na próxima semana.
Numa outra frente de batalha, trato de acompanhar as movimentações políticas neste ano de eleições. Aqui, o que tenho visto não me faz tranquilo nem esperançoso. O lenga-lenga e a desconfiança parecem tomar conta da cena.
A terceira via ainda não conseguiu avançar a ponto de gerar expectativas animadoras e atrair apoios expressivos e votos dos indecisos e insatisfeitos. O lançamento do nome de Bivar como candidato para compor a chapa deixa claro o propósito de reforçar seu partido nas bancadas federais e nos Estados, para além da disputa pela cadeira de presidente. Ao que tudo indica, Ciro Gomes deverá se manter em posição confortável, fora da linha de tiro, explorando oportunidades para crescer nas pesquisas e ir para o segundo turno.
Enquanto isso, o candidato à reeleição, totalmente livre de embaraços e escrúpulos, inteiramente focado na campanha, vai nadando de braçada, voando pra todo lado em avião da presidência, comprando apoios com dinheiro público, distribuindo ameaças com convicção, tendo que se esquivar das denúncias de corrupção que brotam diariamente, envolvendo ministros e aliados. Pesquisas de opinião já indicam que a estratégia adotada está surtindo efeito, atenuando o clima de “já perdeu”, vigente até pouco tempo.
A candidatura de Lula, por sua vez, vai perdendo fôlego por obra do próprio candidato que, destreinado, sem o antigo vigor e com alguma culpa no cartório, não consegue atrair apoios, irrita potenciais aliados, se junta a dono de malas de dinheiro e, sobretudo, não oferece caminhos que possam trazer de volta antigos eleitores desiludidos e encantar quem esteja chegando.
Destituído do poder da caneta e prejudicado pelo esquecimento de seus méritos antigos, parece enfrentar dificuldades em gerar certezas dentro do seu próprio partido e em núcleos organizados de interesse e de poder. A elevada rejeição ao seu nome, restrição dificilmente contornável, limita o universo dos votos úteis no primeiro turno. O antigo clima do “já ganhou” começa a se mostrar inconveniente e perigoso.