Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Leis trabalhistas

CLT: um relacionamento que chega ao fim

Como em qualquer relação duradoura, houve conquistas vitais. Direitos foram consolidados e o trabalhador obteve proteção jurídica em um período em que isso era o fiel da balança. Mas reconhecer o valor do passado não pode ser um pretexto para ignorar as imposições do presente

Publicado em 24 de Março de 2026 às 04:45

Públicado em 

24 mar 2026 às 04:45
Alberto Nemer Neto

Colunista

Alberto Nemer Neto

“Ainda vai levar um tempo pra fechar o que feriu por dentro”.
Ao som dos versos de Lulu Santos, talvez essa frase descreva bem o momento atual das relações de trabalho no Brasil. Como em uma canção sobre desencontros, empregados e empresas viveram durante décadas sob a mesma lógica jurídica, estruturada pela Consolidação das Leis do Trabalho. Foi uma relação longa, intensa e, em muitos momentos, absolutamente necessária.
Talvez essa frase descreva bem o momento atual das relações de trabalho no Brasil. Durante décadas, empregados e empresas viveram sob a mesma lógica jurídica, estruturada pela Consolidação das Leis do Trabalho. Foi uma relação longa, intensa e, em muitos momentos, absolutamente necessária.
A CLT nasceu em outro Brasil. Um país que se industrializava, com parca proteção social e relações laborais ainda desorganizadas. Naquele contexto, ela representou segurança, previsibilidade e um conjunto mínimo de direitos que serviu de alicerce para o mercado de trabalho nacional.
Mas o tempo passou.
A economia mudou de pele e a tecnologia transfigurou profissões. Surgiram novas formas de produzir, contratar e colaborar. E, como acontece em muitos relacionamentos longos, chegou o momento em que as partes perceberam que já não caminhavam na mesma direção.
“Natural que seja assim, tanto pra você quanto pra mim”.
Hoje, o mundo do trabalho experimenta novas latitudes: contratos flexíveis, maior espaço para a livre negociação, prestação de serviços especializada, trabalho por projeto e parcerias que simplesmente não cabem no molde clássico do emprego concebido na década de 1940.
Nada disso significa negar a importância histórica da CLT. Como em qualquer relação duradoura, houve conquistas vitais. Direitos foram consolidados e o trabalhador obteve proteção jurídica em um período em que isso era o fiel da balança. Mas reconhecer o valor do passado não pode ser um pretexto para ignorar as imposições do presente.
A transformação vem ocorrendo de forma gradual, quase imperceptível.
“Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade”.
Reformas legislativas, novos modelos de contratação e decisões judiciais que prestigiam o negociado sobre o legislado vêm redesenhando a arquitetura do trabalho. Nesse processo, amadurece uma percepção silenciosa: a CLT talvez já não seja mais o único — nem necessariamente o principal — modelo para estruturar as carreiras do futuro.
Carteira de trabalho digital, emprego, CLT
Carteira de trabalho digital  Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil
Isso não precisa ser encarado como uma ruptura traumática.
“Não vou dizer que foi ruim. Também não foi tão bom assim”.
A CLT cumpriu seu papel. Foi o esteio do mercado em um determinado recorte histórico. Mas o mundo girou — e as relações jurídicas precisam acompanhar esse movimento. O ponto mais honesto dessa transição é admitir que o ciclo está mudando.
“Não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais”.
A Consolidação continuará existindo e sendo predominante em diversos setores. Contudo, o mercado passa a admitir, cada vez mais, formas de organização mais ágeis e adaptadas às realidades econômicas plurais. No fundo, é apenas mais uma etapa da evolução social. Afinal, a história do trabalho sempre caminhou assim: devagar, às vezes com resistência, mas invariavelmente em movimento.

Alberto Nemer Neto

Advogado trabalhista, coordenador do curso de especialização em Direito do Trabalho da FDV e torcedor fervoroso do Botafogo. Neste espaço, oferece uma visão crítica e abrangente para desmistificar os conceitos trabalhistas e promover um entendimento mais profundo das dinâmicas legais que regem as relações de trabalho

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Marinha do Brasil
Inscrição em concurso para cabo da Marinha termina neste domingo
Imagem de destaque
'Uma refeição nas férias me deixou com 38 parasitas no cérebro'
Planetário de Vitória
De colônias de férias a robótica: veja atrações para crianças na Grande Vitória

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados