A única diferença do atual momento para todas as outras crises que vivi ao longo da minha vida é a rapidez com que as coisas acontecem, se desenvolvem e desaparecem. É um produto da digitalização, do avanço da tecnologia. Eu assisti os pracinhas (soldados brasileiros que foram para a Segunda Guerra Mundial) voltando da Itália. Já era adulto, em agosto de 1954, quando se deu o suicídio de Getúlio Vargas e a crise que decorreu disso. A renúncia de Jânio Quadros (em 1961). Tudo com reflexos na vida e na economia, os fenômenos são os mesmos: a bolsa cai, o dólar avança, o desemprego aumenta... É sempre igual, com as diferenças da época. Depois vieram os militares (1964), o fim da era militar (1985), a morte de Tancredo Neves (1985)... Em cada crise dessa você pode copiar e colar, as mesmas coisas acontecem, tudo absolutamente igual. Só que antes era em slow motion (câmera lenta) e hoje tudo é muito rápido. O momento atual, vamos chamar de crise, tem diversos verticais. Tecnologia. Inteligência Artificial. Teremos empregos amanhã? Digo que teremos, serão diferentes, mas teremos. Foi sempre assim, desde a Revolução Industrial. Então, um homem da minha idade, que já passou por muitas crises e leu sobre outras tantas, pode dizer o seguinte: vai passar, como as outras passaram. Vejo que, neste momento, vivemos uma revolução da identidade política dos países. "O Trump vai fazer isso", "o Bolsonaro fez aquilo", o Lula está fazendo aquilo lá"... É tudo meia-verdade. Lula passa, Trump passa, Bolsonaro passa e o que vai continuar é você, a sua família, a sua empresa, a sua cidade e é isso que manda. É ter a convicção de que, no meio de tudo isso, você está fazendo o melhor para toda esta unidade. Se todos agirem assim, a crise passa mais fácil.