Na última sexta-feira (17), a capixaba ISH Tecnologia entrou em uma nova fase e, aos 30 anos, deu um de seus maiores passos. Foi concluída a entrada do fundo SPX Capital no negócio e o primeiro aporte, de R$ 200 milhões, foi depositado na própria sexta-feira. Ao todo a SPX entrará com R$ 400 milhões com foco em investimentos, aumento de eficiência, governança e um forte programa de aquisição de concorrentes. A partir de agora passam a ser duas empresas: Vision Cybersecurity, voltada ao mercado privado, e a ISH Tecnologia, com foco em serviço público e defesa.
Rodrigo Dessaune, sócio e fundador da ISH, segue como sócio e passará a ser o presidente do Conselho de Administração das duas empresas. "Desde a fundação, em 1996, a empresa sempre cresceu, mas, da pandemia (em 2020) para cá, o nosso mercado explodiu e a ISH viu o seu faturamento triplicar. Os novos modelos de funcionamento dos negócios e de trabalho exigem segurança, que é o que oferecemos desde sempre. Assim, ficou difícil manter o nosso modelo de expansão, que sempre foi crescer com o dinheiro dos sócios. Chegamos a estruturar um IPO (abertura de capital na Bolsa de Valores), que acabou não saindo, e emitimos debêntures (R$ 150 milhões), mas há muito espaço para crescimento. A SPX chegou e fez uma proposta que consideramos adequada. Teremos condições de manter um ritmo de crescimento de 20% ao ano, com internacionalização, fusões e aquisições", explicou Dessaune.
André Fleury, que até o ano passado estava na Accenture e tem larga experiência na área de tecnologia, é o CEO da Vision. Vitor Costa, executivo de longa data da ISH, agora assumirá o comando da empresa. "São duas empresas diferentes, totalmente independentes, que, agora em 2026, devem faturar ao todo R$ 800 milhões", disse Dessaune.
"Estamos em um mercado que é muito diluído, nosso objetivo é vir como um agente consolidador. Vamos buscar crescimento orgânico e também fusões e aquisições. Nós queremos brigar lá no topo, em um mercado que hoje é dominado pelas multinacionais (PwC, EY, KPMG e Deloitte)", explicou Fleury. "Queremos ganhar musculatura para crescer no Brasil, buscar América Latina e depois migrar para Europa, Ásia e Estados Unidos. Quando falamos em aquisições estamos olhando também para fora do Brasil. Trabalhamos com um horizonte de cinco anos".
O CEO da Vision disse que a meta inicial é não mexer em time que está ganhando e fazer ajustes pontuais para que a curva de expansão fique ainda mais inclinada. "A ISH é uma empresa muito bem administrada e com uma operação azeitada. Não posso atrapalhar isso. Veja que o mercado vem, nos últimos anos, crescendo entre 11% e 13% ao ano, a ISH, por sua vez, cresce entre 15% e 20%. O desafio é acertar a estratégia para melhorar ainda mais este ângulo de expansão. O mercado é enorme. A Inteligência Artificial só vai decolar com todo o seu potencial se tiver segurança de qualidade".
Fundada em Vitória, em 1996, a ISH é especialista em segurança da informação, infraestrutura de TI e computação em nuvem.
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