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Rotina puxada

'Panela de pressão': até quando o calorão deve continuar no ES?

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apesar da expectativa para o verão, o começo de 2025 tem mostrado uma "cara" mais intensa da estação

Publicado em 23 de Janeiro de 2025 às 13:15

Alberto Borém

Publicado em 

23 jan 2025 às 13:15
Praia de Itapoã, Vila Velha
Praia de Itapoã, Vila Velha, é um dos pontos de "alívio" de calor procurados por capixabas Crédito: Ricardo Medeiros
O calorão que vem sendo sentido e relatado pelos capixabas não deve dar trégua nos próximos dias. A combinação de altas temperaturas e ausência de chuva promove uma sensação de "panela de pressão" no Espírito Santo, sobretudo para quem precisa executar atividades ao ar livre, ou não tem acesso a um bom ventilador e ao ar-condicionado. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apesar da expectativa para o verão, o começo de 2025 tem mostrado uma "cara" mais intensa da estação. Em um intervalo de poucos dias, o Espírito Santo experimentou chuvas intensas e recorde de calor.
O meteorologista do Inmet Heráclio Alves explica que o calorão tem sido causado por uma massa de ar seco - o sistema impede a chegada de uma frente fria e também a formação de nuvens que poderiam trazer chuva. Ou seja, é como um bloqueio do frio e da chuva, estendendo o período de calor. Ainda conforme o profissional, o fim de semana deve seguir com temperatura nas alturas. Não há expectativa de mudança no panorama ao menos até o dia 30 de janeiro.
"No fim de semana, o tempo ainda deve continuar seco e sem chance de chuva. Nada que vá amenizar o calor. Uma mudança pode acontecer na próxima semana, perto dos dias 29 e 30, com o avanço de um canal de umidade, uma frente fria, que pode promover a chegada de chuva"
Heráclio Alves - Meteorologista do Inmet
O especialista do Inmet explica que, até a data mencionada, não há previsão de um volume significativo de chuva. O verão é conhecido como a estação mais quente do ano, mas também é responsável por trazer chuva e mudanças rápidas e bruscas na previsão do tempo.
Estados do Sudeste têm previsão de chuva, mas Espírito Santo segue com calor e tempo aberto
Nuvem mostra presença da chuva em Estados do Sudeste; quanto mais escura, maior o volume Crédito: Reprodução | Inmet
Portanto, até o fim do mês de janeiro, o Espírito Santo deve ter tempo aberto, sem nuvens e temperatura elevada. Na avaliação de Heráclio Alves, "não há nada de anormal", mas o especialista considera que a temperatura atualmente está acima da média para o período.
"Não é raro e a situação atual não é exclusiva do Espírito Santo. Parte dos Estados da Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais também sofrem com as altas temperaturas", explica o meteorologista.
Em conversa com a reportagem de A Gazeta, o especialista do Inmet lembrou que a temperatura real de algumas cidades do Espírito Santo não representa, necessariamente, o calor sentido pelos capixabas. Isso porque, apesar de a temperatura ser medida e atualizada por institutos confiáveis, a sensação térmica é influenciada por alguns fatores e pode depender de cada indivíduo.
Fatores que influenciam a sensação térmica, ou seja, como sentimos o calor:
  • Temperatura: à medida que a temperatura aumenta, a sensação térmica também aumenta. Estar em um lugar com temperatura acima dos 30 °C é, naturalmente, mais incômodo que um ambiente com termômetro marcando 20 °C
  • Velocidade e circulação do vento: quanto mais veloz é o vento, menor a sensação térmica. Os ventos facilitam a troca de calor entre o corpo de cada um e o ambiente. Em algumas ocasiões, o vento ameniza a sensação de "panela de pressão"
  • Umidade do ar: depende da quantidade de vapor de água na atmosfera. Quando a umidade do ar está alta e a temperatura também, a sensação é ainda maior. O suor evapora com mais dificuldade, fazendo com que a pessoa sinta mais calor
O meteorologista Heráclio Alves ressalta que, além das condições consideradas oficiais, outros aspectos também influenciam na sensação térmica, por exemplo: a presença do asfalto e a quantidade de árvores nos espaços.

Em duas semanas, ES teve chuva forte e calor recorde

Temporal, raios e trovões atingiram a Região Metropolitana da Grande Vitória no dia 7 de janeiro e causaram inúmeros transtornos à população. A escuridão formada pelas nuvens carregadas chegou aos municípios já no meio da tarde. Em vídeos que circularam pelas redes sociais é possível ver que em alguns locais, como no bairro Jardim América, em Cariacica, a ventania se juntou à precipitação. As ruas do Centro da Capital rapidamente ficaram alagadas em menos de 30 minutos. Vídeos enviados por leitores de A Gazeta mostram que uma escadaria "virou" uma cachoeira com tanta água descendo.
Na época, A Gazeta mostrou que o temporal foi causado pela atuação de um sistema meteorológico. A Zona de Convergência do Atlântico Sul, também conhecida pela sigla ZCAS, foi a responsável pela chuva forte que atingiu o Espírito Santo.
Duas semanas depois, o Espírito Santo experimentou um outro extremo: sem chuva e com calor intenso. Após Alegre, no Sul do Estado, entrar na lista das cidades mais quentes na segunda-feira (20), a capital Vitória, no mesmo dia, também registrou a maior temperatura de 2025, com 35,7 °C de máxima, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A informação foi divulgada pela empresa de meteorologia Climatempo.

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