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Educação

Weintraub diz que Enem não foi feito para corrigir injustiças

A declaração do ministro da Educação foi dada nesta terça-feira (5) em reunião virtual com senadores. Parlamentares argumentaram a falta de internet

Publicado em 05 de Maio de 2020 às 18:56

Redação de A Gazeta

Publicado em 

05 mai 2020 às 18:56
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) não será adiado e que não foi feito para corrigir injustiças. A declaração foi dada nesta terça-feira (5) em reunião virtual com senadores.
O ministro Abraham Weintraub
O ministro Abraham Weintraub Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil
Congressistas têm defendido o adiamento das provas desde o início do isolamento social e do cancelamento de aulas por causa da pandemia do novo coronavírus. A falta de acesso à internet a todos os estudantes que estão sem aulas presenciais, que tende a prejudicar mais os alunos da rede pública, é um dos principais argumentos usados por senadores. Segundo eles, o ministro se mostrou indiferente à questão.
A reportagem pediu um posicionamento do MEC (Ministério da Educação) sobre as declarações do ministro, mas a pasta informou que não vai se manifestar a respeito.
"A maioria dos senadores defende que o Enem seja adiado, mas o ministro acha que não deveria ocorrer. Ele não considerou nem o fato de que parte dos jovens não tem acesso à internet", disse o líder do PSD, Otto Alencar (BA).
"Ele disse que sabe que existem injustiças, mas que Enem não foi feito para corrigir injustiças, mas para selecionar", afirmou o senador.
De acordo com Alencar, o ministro afirmou que nem todas os estudantes que realizam as provas têm as mesmas chances e que isso não justificaria um adiamento.
"O ministro chegou a dizer que existem pessoas que são mais inteligentes e outras que têm pouca inteligência. Achei tão absurdo quando ele falou isso que tive vontade de sair da reunião. É muito absurdo ouvir isso", disse.
A reunião em que Weintraub falou aos senadores foi convocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Os líderes presentes no encontro não sabiam da participação do ministro.
"Ninguém foi avisado que o ministro estaria. Fomos surpreendidos agora, com o presidente chamando o ministro para falar", contou o líder do PSL, Major Olímpio (SP).
Alcolumbre começou a reunião dizendo que chamou o ministro para que ele pudesse falar sobre o Enem, já que existem projetos no Senado que pedem o adiamento das provas devido à pandemia. O ministro garantiu que não haverá adiamento das provas.
A reportagem pediu à assessoria do Senado a gravação do encontro, mas foi informada que reunião de líderes "é fechada" e, portanto, "não é gravada". Contudo, a reportagem ouviu a declaração do ministro na reunião.
Desde que as sessões virtuais começaram a ser realizadas, nem mesmo as conversas dos senadores antes das votações estão sendo transmitidas.
Segundo disse Weintraub aos senadores, o Enem será realizado em novembro e não há perspectiva de que os efeitos do coronavírus se mantenham lá.
Para o vice-líder do governo no Senado, Izalci Lucas (PSDB-DF), o ministro não entendeu a gravidade da situação. "É lógico que há necessidade de se adiar o Enem. Só ele [ministro] não vê isso", disse o senador.
Ele afirmou que seguirá defendendo que o projeto que prevê o adiamento seja colocado em votação. "É lamentável e insensível a forma como ele falou na reunião. Ele não pode agir dessa forma", disse o senador.

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