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Planalto tira deputados críticos do STF de vice-liderança da Câmara

Segundo relataram interlocutores à reportagem, o Planalto pretende indicar deputados do Centrão para os postos que ficarão vagos

Publicado em 09 de Julho de 2020 às 09:14

Redação de A Gazeta

Publicado em 

09 jul 2020 às 09:14
Palácio do Planalto, em Brasília
Palácio do Planalto, em Brasília Crédito: Divulgação
Dois deputados da linha de frente do bolsonarismo, Otoni de Paula (PSC-RJ) e Daniel Silveira (PSL-RJ), informaram nesta quarta-feira (8) que devem deixar a vice-liderança do governo na Câmara.
Segundo relataram interlocutores à reportagem, o Planalto pretende indicar deputados do Centrão para os postos que ficarão vagos, em mais um esforço para construir uma base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Legislativo.
Os dois parlamentares que anunciaram a saída da vice-liderança são investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito que apura atos antidemocráticos e têm em comum um histórico de críticas -no caso de um deles, até xingamentos- a ministros da Corte.
Além da visibilidade, os postos que eles devem deixar são importantes por auxiliarem o líder do governo na Casa, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), na articulação com os demais parlamentares.
Otoni de Paula anunciou no Twitter, na noite desta quarta, que está saindo da vice-liderança.
"Comunico que entreguei no final da tarde meu pedido de afastamento da vice-liderança do governo na Câmara. Minhas opiniões sobre o sr. [ministro do STF] Alexandre de Moraes são única e exclusivamente de minha responsabilidade, não sendo eu porta-voz do presidente Jair Bolsonaro. Deus abençoe nossa nação", escreveu Otoni.
O deputado publicou na última segunda-feira (6) um vídeo repleto de xingamentos a Moraes, relator no STF tanto do inquérito que investiga atos antidemocráticos quanto do das fake news -ambos têm como alvo aliados próximos de Bolsonaro.
No vídeo, Otoni chama Moraes de "tirano", "lixo", "esgoto do STF", "canalha" e "latrina da sociedade brasileira".
Auxiliares do presidente consideraram os termos inaceitáveis e decidiram retirar Otoni da vice-liderança.
Eles relataram à reportagem que o momento atual do governo é de pacificação com os demais Poderes e de redução da crise institucional com o Judiciário e o Legislativo, o que tornou inviável a permanência do deputado em um posto de indicação do Planalto.
Daniel Silveira, outro integrante da tropa de choque de Bolsonaro, também informou pelo Twitter que está saindo da vice-liderança.
"Acabo de saber que minha retirada da vice-liderança de governo foi pedido do general [Luiz Eduardo] Ramos [ministro da Secretaria de Governo] para alocar deputados do Centrão. Estranha essa relação de homens tão próximos manobrarem enfraquecimento da base do presidente. Ser líder só tem ônus, mas ao menos que seja alguém de honra", escreveu.
Na mesma mensagem, Silveira afirmou que seguirá apoiando Bolsonaro e que Ramos também teria exigido a saída do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) da vice-liderança.
À reportagem Derrite disse ter tomado conhecimento da publicação de Silveira, mas que desconhece qualquer pedido por sua saída.
Apesar de os anúncios terem sido feitos no Twitter, a saída de Otoni e de Silveira da vice-liderança do governo ainda não foi oficializada.
Na Câmara, deputados próximos ao Planalto afirmam, sob condição de anonimato, que é esperada uma ampla reformulação dos postos na liderança do governo na Casa.
A avaliação é que Bolsonaro distribuiu esses cargos a aliados próximos que o defendem com empenho nas redes sociais, mas que têm pouca ou nenhuma influência nas articulações na Câmara.
O PSL, por exemplo, tem hoje 7 vice-líderes de um total de 14. A ideia do Planalto é, na remodelação, aumentar no grupo a participação de legendas como o PL e PP.

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