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Pauta conservadora é rejeitada pela maioria da população, diz pesquisa

Temas como defesa de armas, fim de cotas e oposição à criação de crianças por casais gays são desaprovados pelos brasileiros, mostra levantamento encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Raps; aborto é exceção: quase 42% querem veto total

Publicado em 15 de Setembro de 2022 às 14:19

Agência Estado

Publicado em 

15 set 2022 às 14:19
A pauta conservadora, quase toda identificada com o bolsonarismo — como a defesa das armas e a oposição às cotas raciais, à criação de crianças por casais gays e à demarcação das terras indígenas — é amplamente rejeitada pela população. É o que mostra pesquisa feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pela Raps (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade) por meio do Datafolha.
A exceção é o aborto: 41,8% acreditam que a interrupção da gravidez deveria ser totalmente proibida, ao contrário do que já prevê a lei brasileira. Hoje, o aborto é permitido em casos de estupro, anencefalia e risco de vida para a mãe.
O presidente Jair Bolsonaro (PL) faz gesto simbolizando arma em manifestação de Sete de Setembro em 2021.
O presidente Jair Bolsonaro (PL) faz gesto simbolizando arma em manifestação de Sete de Setembro em 2021 Crédito: Danilo Verpa/Folhapress
A propensão de apoio à agenda dos direitos civis, humanos e sociais mostrou, por exemplo, que 82,2% dos brasileiros concordam totalmente ou simplesmente concordam com a ideia de que o Congresso Nacional deveria ter a mesma quantidade de homens e mulheres. Apenas 7,9% da população discorda total ou parcialmente da ideia de representação paritária de gênero entre deputados e senadores.
Mas não foi só. A imensa maioria dos brasileiros afirmou haver racismo no País (83,4%) e somente 11,3% dos entrevistados negaram essa realidade. Outra maioria (64,7%) se formou para defender a ideia de que um casal homossexual (com dois homens ou com duas mulheres) pode criar filhos tão bem quanto um casal tradicional, formado por um homem e por uma mulher.
Entre diversos tópicos apenas uma das chamadas pautas conservadoras encontrou apoio majoritário: a proibição do aborto em qualquer situação tem o aval de quase 42% da população ante a rejeição de 36,2%. Além dessa, somente uma outra questão dividiu a população: os efeitos da reforma trabalhista feita no governo de Michel Temer (MDB). Ao todo, 39,7% dos entrevistados discordaram que as mudanças trouxeram mais empregos ante a concordância de 37,4%.

COTAS RACIAIS

A pesquisa mostra ainda que 67,8% apoiam a adoção de cotas raciais nas universidades e no serviço público para a redução da desigualdade entre brancos e negros no Brasil, assim como 87,7% da população considera justo que uma pessoa muito pobre receba o Auxílio Brasil ou o Bolsa Família — esse número cresce para 92,1% quando se trata de ajudar quem está passando fome.
Outra pauta cara ao bolsonarismo rejeitada pela população é a ideia de que a sociedade brasileira seria mais segura se as pessoas andassem armadas para se proteger da violência. Apenas 18,2% da população apoia essa proposta ante 66,4% que a rejeitam Ainda na área da Segurança Pública, 67,6% afirmaram que melhorar as condições das prisões brasileiras é fundamental para reduzir o poder das facções criminosas nos presídios (19,2% discordam).
Mais um tema bolsonarista rejeitado pela população está ligado às terras indígenas. Desde que assumiu, o presidente paralisou a demarcação de novas reservas. A pesquisa mostra que, ao todo, 82% da população concorda que os povos indígenas devem ter suas terras demarcadas.
O apoio à imprensa também é grande na população. A pesquisa registrou que 75,9% acreditam que a liberdade de imprensa contribui para uma sociedade democrática, justa e transparente. Mesmo com esse apoio, o Brasil registrou piora na situação de trabalho dos jornalistas.
Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), entre janeiro de 2022 e abril de 2022, foram identificados 151 episódios de agressão física e verbal ou outras formas de cercear o trabalho jornalístico, como processos judiciais, assassinatos, assédio sexual e uso abusivo do poder estatal. Trata-se de um aumento de 26,9% considerando o mesmo período do ano passado.

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