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Avanço da doença

Nenhum sistema de saúde está 100% preparado para novo coronavírus, diz ministro

'É uma doença que tem abalado sistemas de saúde do mundo inteiro', disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

Publicado em 18 de Março de 2020 às 12:12

Redação de A Gazeta

Publicado em 

18 mar 2020 às 12:12
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse nesta terça-feira (17) que nenhum sistema de saúde está 100% preparado para atendimentos em larga escala diante do avanço do novo coronavírus.
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil
"É uma doença que tem abalado sistemas de saúde do mundo inteiro. Não existe nenhum país do mundo com um sistema de saúde 100% preparado para ser em massa acionado para testes, diagnóstico, internação, isolamento e leitos em CTI", afirma.
"Estamos vendo países de primeiro mundo tendo problemas graves em relação a colapso de sistemas de saúde. O Brasil tem sistema minimamente consolidado e estamos procurando aumentar a capacidade instalada."
Nesta terça, o ministério confirmou a primeira morte relacionada ao novo coronavírus. Trata-se de um paciente de 62 anos atendido em São Paulo e que tinha histórico de diabetes e hipertensão.
O número de casos confirmados no país também passou de 234 para 291. Já o número de casos em investigação passou de 2.064 para 8.819.
A pasta atribui o avanço a uma mudança no sistema para inserção automática de dados em análise pelos estados.
Segundo Mandetta, o Brasil deve enfrentar o pico do novo coronavírus entre 60 e 90 dias. A estimativa é que os números de casos sejam elevados entre os meses de abril e junho e passem a atingir a estabilidade a partir de julho.
"Nós estamos imaginando que nós vamos trabalhar com números ascendentes, espirais em abril, maio, junho. Nós vamos passar aí 60 a 90 dias de muito estresse para que quando chegarmos ao fim de junho, julho, a gente imagina que entra no platô. Agosto, setembro a gente deve estar voltando desde que a gente construa a chamada imunidade de mais de 50% das pessoas", afirmou.
O ministro disse ainda que medidas restritivas no país poderão ser elevadas neste período, mas não deu detalhes de quais.
Ainda de acordo com Mandetta, a pasta já analisa a possibilidade de usar estruturas não previstas na rede de saúde para atendimento, como escolas e contêineres.
"Vamos precisar de muitos mais, muitos leitos para pacientes que não são graves para CTI, e não são leves suficientes para casa. Isso pode exigir hospitais de campanha, improvisação de escolas e transformação de leitos que não são clássicos de hospitais", disse.
Ele voltou a pedir que diretores de hospitais revisem a ocupação de leitos e suspendam cirurgias eletivas (programadas).
As ações fazem parte de um conjunto de medidas para garantir aumento de capacidade de atendimento na rede. Nos últimos dias, o ministério também passou a liberar leitos extras de UTI para serem repassados aos estados.
Também já avalia ampliar o uso de telemedicina --incluindo para atendimento direto a pacientes, e não apenas entre médicos como segunda opinião.
A estimativa da pasta é de que 15% dos pacientes precisarão de atendimento hospitalar, enquanto 85% poderão se recuperar em casa, com uso de antitérmico e orientação médica básica.
Para evitar conter a gravidade dos casos, Mandetta também fez um apelo para que haja proteção de idosos e que seja evitado o contato desse público com crianças.
"Ligar no telefone para perguntar como está, mas não levar as crianças sistematicamente. Muitas são assintomáticas. Conversar, dialogar e proteger. O momento é de proteção. Quantos menos idosos tivermos com essa gripe, menos pressão nos leitos de CTI", disse.
Com a previsão de aumento de casos nas próximas semanas, o ministério irá abrir um edital para cadastramento de empresas que ofertam testes rápidos que podem ser usados na rede de saúde. A medida deve ser publicada em edição extra do Diário Oficial da União desta terça.
"Nós vamos chamar aqueles que querem colaborar, que mandam [ofertas] nos nossos emails, mandam para o Ministério da Saúde, todos terão prazo para falar: 'eu tenho essa solução', 'eu tenho essa solução para isso', mas mandar já com o seu componente científico para que o Ministério da Saúde veja se há viabilidade, se há intenção de aquisição de outras tecnologias", disse o ministro.
Ele afirma que as tecnologias só serão adotadas pelo governo se houver atestado sobre eficácia.
Em outra frente, a pasta pretende adquirir mais 45 mil testes laboratoriais até abril. Atualmente, há 30 mil testes disponíveis.
Apesar da ampliação do número de testes, Mandetta diz que, com a confirmação de transmissão sustentada em algumas regiões, a recomendação da pasta é que seja priorizada a testagem de pacientes internados com quadro respiratório grave.
Nos demais, a análise deve ocorrer por meio de amostras coletadas em unidades sentinela na rede de saúde -visando verificar a circulação do vírus- e diagnóstico clínico.
"O médico viu, é um paciente jovem de 20 anos, o pai já teve e agora tem sintomas, e a gente por nexo causal notifica", afirma. "Os nossos números deverão retratar de maneira muito fidedigna o que os profissionais da ponta vão observar na dinâmica dessa doença."

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