Publicado em 12 de dezembro de 2019 às 19:32
- Atualizado há 6 anos
O ministro Sergio Moro (Justiça) afirmou nesta quinta-feira (12) que o presidente Jair Bolsonaro pode realizar alguns vetos no pacote de lei anticrime, aprovado na quarta-feira (11) pelo Congresso Nacional. >
"Vetar totalmente não faz sentido, evidentemente, pois é um projeto do governo. Vetar totalmente é uma hipótese descartada, mas talvez haja alguns vetos. Isso vai ser discutido com o presidente da República", declarou o ministro, após uma cerimônia no Ministério da Justiça em que os secretários da pasta apresentaram um balanço da gestão do órgão. >
O ministro não especificou quais pontos poderiam ser barrados pelo presidente, mas há itens que são alvo de críticas por parte do ex-juiz da Lava Jato. >
Um deles - que não constava na versão original do pacote anticrime - é a criação do juiz de garantias. Esse magistrado é responsável por instruir, mas não julgar o processo.>
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O texto votado na quarta pelo Senado é uma versão desidratada do pacote anticrime inicialmente proposto por Moro. A redação agora vai para sanção de Bolsonaro. >
Ficaram de fora algumas das principais bandeiras do ex-juiz, como o excludente de ilicitude, a prisão em segunda instância e o acordo de "plea bargain", acordo penal em que o Ministério Público oferece ao réu uma pena mais branda do que a que ele poderia pegar caso fosse a julgamento.>
Parlamentares da ala lavajatista dizem que vão trabalhar para manter os vetos que Bolsonaro deve fazer e apresentarão, no ano que vem, um novo projeto para tentar recuperar pontos que foram derrubados.>
Houve acordo unânime para que não fossem feitas alterações agora, para garantir a aprovação imediata.>
"Não é exatamente o projeto que foi apresentado, algumas medidas ficaram de fora. Respeitamos a decisão do Congresso, faz parte do jogo democrático, mas várias medidas relevantes ficaram presentes. E a partir do momento em que a lei seja sancionada, certamente fará diferença significativa no avanço da Justiça e da segurança pública do país", afirmou Moro, durante a sua apresentação no ministério. >
Embora tenha reconhecido que a aprovação de seu projeto demorou no Congresso, Moro agradeceu os parlamentares e disse que é alvissareiro que ele tenha sido votado antes do final do ano. >
Fora do pacote anticrime, a prisão em segunda instância é tratada em uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que tramita na Câmara. Um projeto de lei no Senado, com tramitação mais rápida, não será votado por decisão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP).>
O texto aprovado na quarta endurece alguns pontos da legislação, como o aumento de 30 para 40 anos do tempo máximo de cumprimento de pena. Esse trecho constava do projeto de Moraes, assim como o acordo de não-persecução penal, que deve ser homologado por um juiz.>
Além da figura do juiz de garantias, parlamentares incluíram pontos como mudanças nas regras de delação premiada. Pelo texto aprovado nenhuma medida cautelar e recebimento de denúncia ou queixa-crime poderá ser decretada ou apresentada apenas com base na declaração do delator.>
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