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Maia sofre maior ataque do ano nas redes sociais

Na quinta (17), Bolsonaro afirmou que a atuação de Maia era 'péssima' e insinuou que o deputado trama contra seu governo

Publicado em 18 de Abril de 2020 às 17:57

Redação de A Gazeta

Publicado em 

18 abr 2020 às 17:57
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia Crédito: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados
Após ser alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro na noite de quinta (17), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sofreu o maior ataque do ano a suas redes sociais. Apenas no Twitter, 238 mil perfis publicaram 1,6 milhão postagens contra o parlamentar nos últimos dois dias.
Segundo levantamento feito pela consultoria Bites, que considerou o uso da hashtag (palavra-chave) #ForaMaia das 21h de quinta-feira (17) às 18h desta sexta-feira (18), a soma dos ataques bolsonaristas no Twitter equivale a 71% de tudo o que se falou de negativo sobre o parlamentar na rede social em 2020. Isso levou a hashtag ao topo das frases mais mencionadas no Twitter.
Na quinta (17), Bolsonaro afirmou que a atuação de Maia era "péssima" e insinuou que o deputado trama contra seu governo. "O sentimento que eu tenho é que ele não quer amenizar os problemas. Ele quer atacar o governo federal, enfiar a faca. Parece que a intenção é me tirar do governo. Quero crer que esteja equivocado", disse o presidente à rede de TV CNN.
Maia reagiu dizendo que não iria atacar Bolsonaro. "O presidente não vai ter ataques (de minha parte). Ele joga pedras e o Parlamento vai jogar flores", afirmou, também à CNN. No mesmo dia, junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ele divulgou uma nota em defesa de Mandetta e dizendo que sua saída não é positiva e será sentida por todos.

DEPUTADOS

Os ataques a Maia também partiram dos próprios parlamentares. Foram mapeadas 29 postagens contra ele no Twitter, Instagram e Facebook, com um alcance total de 323 mil interações. O recordista foi o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente. Em publicação no Facebook em que reproduz entrevista em que o presidente confronta Maia, o filho do presidente conseguiu 53 mil interações. Outro ataque partiu da deputada Alê Silva (PSL-MG), que atingiu 7,6 mil curtidas as escrever que Maia ataca a economia para desestabilizar o governo.
De acordo com a consultoria Bites, parlamentares do PT e o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) foram os mais enfáticos na defesa do presidente da Câmara. Até pouco tempo aliado do presidente, Frota afirmou que Maia "foi espancado pelo Bolsonaro, mas não caiu no conto do vigário". "Agora, Rodrigo, você tem nas mãos nossos pedidos de impeachment", escreveu o deputado em sua conta no Twitter. O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri, disse que a acusação de Bolsonaro contra Maia é uma afronta à sociedade.
O cientista político Humberto Dantas, head de Educação do Centro de Liderança Pública (CLP), afirma que a Justiça deverá fazer uma varredura nos ataques bolsonaristas nas redes sociais. "Existe a ideia de que grande parte desses perfis é composta por robôs, além de uma consciência da existência de um gabinete do ódio no Planalto. Se isso estiver sendo feito com dinheiro público, é criminoso e precisa ser punido."
Alvo da CPMI das Fake News no Congresso, o chamado "gabinete do ódio" é um núcleo ideológico do governo, do qual Carlos Bolsonaro faria parte, que tem ganhado espaço durante a crise do coronavírus.
A demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, apesar de colocada como a razão do embate entre Maia e Bolsonaro, não é o principal motivo das desavenças, segundo Dantas. "O pano de fundo é a Câmara ter aprovado o pedido de entrega do exame da covid-19 do presidente em 30 dias. Esse, sim, foi um dos maiores ataques do Legislativo ao Executivo neste mandato e que pode levar a um crime de responsabilidade", afirma o analista.

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