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"Eu derrotei Bolsonaro"

Lula minimiza apoio de Bolsonaro a Trump e repete críticas a Musk

"A única coisa que queremos é que esse empresário trate os países com respeito e não utilize fake news para informar o povo", disse o presidente sobre o dono do X e da Starlink

Publicado em 08 de Novembro de 2024 às 20:52

Agência FolhaPress

Publicado em 

08 nov 2024 às 20:52
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT) minimizou nesta sexta-feira (8) o apoio de Jair Bolsonaro (PL) ao presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, alegando que o brasileiro não tem votos naquele país e não influiu no resultado.
Ele retomou ainda críticas ao empresário Elon Musk, dono do X (ex-Twitter), apoiador de Trump e que deve integrar o governo do republicano. "Olha, a única coisa que queremos é que esse empresário trate os países com respeito e não utilize fake news para informar o povo, seja o povo americano, seja o povo brasileiro".
As declarações foram dadas em entrevista à CNN Internacional. Um primeiro trecho foi divulgado pela emissora. A íntegra foi ao ar nesta sexta.
Musk fez doações milionárias para a campanha republicana, foi lembrado em discurso de vitória e já recebeu convite para assumir o Departamento de Eficiência Governamental do governo Trump. No Brasil, o dono do X é aliado do bolsonarismo.
"O Bolsonaro era presidente e eu o derrotei. Se ele estava apoiando o Trump, ele não tem voto nos Estados Unidos, o Trump não teria ganho as eleições", disse.
"Acho que cada candidato estabelece uma estratégia para ganhar as eleições. E eu quero dizer claramente ao povo americano: terei com o presidente Trump uma relação de respeito como chefe do Estado brasileiro. Espero que ele tenha uma relação de respeito com o Brasil como chefe do Estado americano. Ora, se nós estabelecemos essa linha de comportamento, de civilidade, de respeito, o resto fica tudo muito mais fácil", completou.
A resposta foi dada ao ser questionado se a vitória do republicano poderia ser boa para Lula ou ajudar o ex-presidente a voltar ao poder. A apresentadora chamou ainda Bolsonaro de "Trump dos trópicos", e Lula sorriu.

Relação de respeito com Trump

O petista apoiou a democrata Kamala Harris, que saiu derrotada. Ele defendeu uma relação de respeito e civilidade com Trump. "Dois chefes de Estado, embora eles possam ter divergência política e ideológica, quando eles se encontram, o que prevalece é o interesse do Estado, não é o interesse pessoal", disse.
A jornalista mencionou que muitos países estão sendo governados por idosos, como os Estados Unidos e o Brasil, e questionou se o presidente será candidato e se não é a hora de uma "geração mais jovem entrar em cena".
Ele rebateu a visão de que pode estar com uma idade muito avançada para disputar um quarto mandato, afirmando que mantém boa saúde e condição física. E indicou que o principal é ter competência e não ser jovem.
"Governar não é jogar futebol, governar não é praticar esportes. Ou seja, não é o problema da juventude que vai resolver o problema da governança. O que vai resolver o problema da governança é a competência do governante, é o compromisso do governante, é a cabeça do governante, é a saúde e os compromissos do governante", afirmou.
Lula repetiu ainda sua fala rotineira de que pretende viver até 120 anos e que cuida da sua saúde física, faz exercícios. Disse então que não é candidato à reeleição e que o pleito de 2026 será discutido apenas em dois anos.
As falas de Lula sobre o resultado eleitoral dos Estados Unidos foram a terceira vez que ele aborda publicamente o tema. Horas após a confirmação, o mandatário brasileiro usou suas redes sociais para parabenizar o americano.
"Meus parabéns ao presidente Donald Trump pela vitória eleitoral e retorno à presidência dos EUA. A democracia é a voz do povo e ela deve ser sempre respeitada. O mundo precisa de diálogo e trabalho conjunto para termos mais paz, desenvolvimento e prosperidade. Desejo sorte e sucesso ao novo governo", escreveu.
Horas mais tarde, ele disse esperar uma relação "civilizada" com o americano, assim como ele manteve com outros presidentes dos EUA em seus dois primeiros mandatos.
"Olha, eu não vou pensar o que pode acontecer de pior com a eleição de um presidente de um outro país. Não conheço pessoalmente o Trump. Conheço de ouvir dizer, de ler matéria dele, de ver ele na televisão. Mas eu espero que a convivência seja a convivência civilizada que eu já tive com o [George W] Bush, que é do Partido Republicano, que eu já tive com o [Barack] Obama, que eu já tive com o [Joe] Biden", afirmou.
Lula disse também que respeita pessoas que são eleitas democraticamente. Antes de vencer o pleito, Trump havia dito que aceitaria o resultado se a "eleição fosse justa".
"Ele foi eleito presidente dos Estados Unidos. Ponto. Portanto, eu respeito o fato de ele ter sido eleito pelo povo americano. Eu espero que ele tenha a preocupação de trabalhar para que o mundo tenha paz. Eu espero que ele trabalhe para melhorar a vida do povo americano, para isso que ele foi candidato", afirmou Lula.
Trump foi declarado presidente eleito dos Estados Unidos por volta das 7h30 desta quarta (6), quando alcançou a marca de 276 dos 538 votos do Colégio Eleitoral. Além da vitória no colégio eleitoral, o novo presidente ainda sai fortalecido nas urnas por ter vencido no voto popular.
Até a tarde desta quarta-feira (6), com os resultados confirmados em quase todos os estados, ele registrava 51% dos votos populares, contra 47,6% de Kamala Harris.
Trump ainda vai governar com a maioria em ambas casas do Congresso norte-americano.

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