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Lula escolhe Teresa Leitão como líder do governo no Senado após saída de Jaques Wagner

Senadora é do PT de Pernambuco; presidente cita fim da escala 6x1 e PEC da Segurança Pública em anúncio

Publicado em 25 de Junho de 2026 às 15:54

Agência FolhaPress

Publicado em 

25 jun 2026 às 15:54

BRASÍLIA - O presidente Lula (PT) escolheu a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como nova líder do governo no Senado. O cargo havia ficado vago depois da saída de Jaques Wagner (PT-BA), que foi alvo de operação da PF (Polícia Federal) relacionada ao caso Banco Master.


Quem ocupa o cargo se torna representante do presidente da República junto aos demais senadores. É responsável por fazer acordos em nome do Planalto durante negociações de projetos em votação, por exemplo.


"Designei a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado com a missão de articular o debate e a aprovação de projetos de interesse da população brasileira que estão em tramitação, como o fim da escala 6 por 1 e a PEC da Segurança, entre outros", anunciou Lula em seu perfil no X, antigo Twitter.

senadora Teresa Leitão
Teresa Leitão será responsável por fazer acordos em nome do governo no Senado. Waldemir Barreto/Agência Senado

Um dos aliados mais próximos de Lula, Jaques Wagner deixou a liderança do governo na quarta-feira (24) depois de uma conversa com o presidente. Ele resistia à hipótese de se afastar. Lula queria que o aliado deixasse o cargo para evitar que sua campanha de reeleição como presidente fosse contaminada pelo escândalo do Banco Master.


Aliados de Lula especulavam que o presidente poderia indicar o senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE) para o cargo. O motivo seria a relação de proximidade que os dois criaram ao longo do atual governo. Camilo, porém, está escalado pelo petista para impulsionar sua aliança no Ceará.


O senador Otto Alencar (PSD-BA) também teve o nome citado nos bastidores. Aliado tanto de Lula quanto de Wagner, Otto é um dos senadores mais respeitados pelos colegas. Ele, porém, já ocupa um posto relevante no Legislativo, o de presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), a principal do Senado.


O chefe do governo sinalizou a aliados na noite de terça-feira (23) que poderia escolher Teresa Leitão para o posto. Na quarta, teve a conversa definitiva com Wagner. Na manhã desta quinta, falou com a senadora por telefone antes de anunciá-la como nova líder do governo.


A senadora, de 74 anos, foi eleita em 2022. Seu mandato vai até 2031, o que significa que ela não precisará disputar a eleição deste ano.


A fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela PF na última semana apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além de Wagner, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT-BA). Lima foi sócio de Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master e pivô do escândalo financeiro.


Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Lima ao "núcleo familiar" de Wagner, o que, segundo o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, relator do caso Master no STF, é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.


Wagner também teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master, e ingressos para assistir a um show de uma "cantora internacional" em Los Angeles, em 2023.


Em endereços ligados ao senador, agentes da Polícia Federal encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais).

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