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Suspeita no governo

Justiça dá 5 dias para chefe da Secom responder sobre conflito de interesses

Juíza abriu prazo para o secretário se manifestar antes de decidir sobre um pedido de liminar feito pelo PSOL

Publicado em 20 de Janeiro de 2020 às 21:23

Redação de A Gazeta

Publicado em 

20 jan 2020 às 21:23
Fabio Wajngarten, secretário especial de Comunicação Social (Secom) da Secretaria de Governo da Presidência Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A juíza federal Solange Salgado, da 1ª Vara Federal em Brasília, abriu prazo de cinco dias úteis para o chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), Fabio Wajngarten, se manifestar sobre suspeitas de conflito de interesses.
Na última quarta-feira (15), o jornal "Folha de S. Paulo" revelou que Wajngarten tem uma empresa, a FW Comunicação, que recebe de emissoras de TV e agências de publicidade que, por sua vez, são contratadas pela própria Secom e por outros órgãos do governo Jair Bolsonaro.
Wajngarten tem 95% das cotas da empresa e sua mãe, 5%. A Secom é responsável por distribuir as verbas de comunicação do governo. O secretário sustentou que sua situação é regular porque ele se afastou da gestão da firma.
A juíza Solange abriu prazo para o secretário se manifestar antes de decidir sobre um pedido de liminar feito pelo PSOL, que pleiteia o afastamento de Wajngarten do cargo. O PSOL ajuizou na sexta-feira (17) uma ação popular na Justiça Federal afirmando que a situação do secretário viola os princípios administrativos.
"Para que seja oportunizada à parte contrária o contraditório acerca dos fatos mencionados [...], é imprescindível a oitiva da parte contrária, antes de apreciar o pleito de suspensão liminar do alegado ato lesivo impugnado. Assim, deixo para apreciar o pedido liminar após oportunizar manifestação prévia dos réus no prazo de cinco dias úteis", escreve a juíza no despacho.
Nesta segunda (20), a Folha noticiou que uma agência de publicidade, a Artplan, que é cliente da empresa de Wajngarten, passou a ser a número um em verbas distribuídas pela pasta na gestão dele na Secom.
A agência recebeu da secretaria R$ 70 milhões entre 12 de abril e 31 de dezembro de 2019, 36% mais do que o pago no mesmo período do ano anterior (R$ 51,5 milhões).
O levantamento feito pela Folha de S.Paulo nas planilhas de pagamento da Secom mostra uma inversão de tendência. Até a chegada de Wajngarten ao cargo de secretário, a agência mais contemplada com a verba de propaganda era a Calia Y2.
Em nota, a Secom negou ter havido favorecimento da Artplan e, como na semana passada, voltou a criticar o jornal.
"A Artplan ganhou uma concorrência interna entre as agências com contratos com a Secretaria Especial de Comunicação da Presidência da República realizada na gestão anterior e não da de Fábio Wajngarten para realizar a maior campanha do governo em 2019, a da Nova Previdência", afirmou.
"O mau jornalismo praticado pela Folha de S. Paulo se transformou em abjeta campanha persecutória, inaceitável e incompatível com que determinam a ética e os bons costumes do bom e sério jornalismo."

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