Publicado em 13 de janeiro de 2023 às 20:16
BRASÍLIA - O governador afastado do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) afirmou em depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira (13) que o Exército impediu que as forças de segurança do DF desmontassem o acampamento em frente ao quartel-general de Brasília.>
Segundo apurou a reportagem, Ibaneis disse que enviou equipes para o local, mas elas foram impedidas de realizar o trabalho pelo Comando Militar do Planalto.>
Ele contou à PF que havia o objetivo de desmobilizar o acampamento até o dia 29 de dezembro, mas os bolsonaristas permaneceram no local com o veto da operação policial para o desmonte do acampamento.>
Segundo relatos de pessoas com conhecimento do depoimento, Ibaneis soube da viagem de Anderson Torres, ex-ministro de Jair Bolsonaro e ex-secretário de Segurança do DF, apenas no sábado (7).>
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O governador afastado relatou ter sido informado pelo próprio Torres quando ligou para cobrar explicações sobre o planejamento da segurança para os atos golpistas que ocorreriam no domingo (8).>
Torres atendeu o telefone momentos após desembarcar nos Estados Unidos, conforme os relatos. Com a ausência do secretário, Ibaneis passou a tratar das ações de segurança com o então número 2 da pasta, o delegado Fernando de Sousa Oliveira.>
Sobre a ação no domingo (8), Ibaneis repetiu o que já havia dito sobre ter sido informado de que tudo transcorria dentro da mais absoluta normalidade.>
Ibaneis afirmou ao delegado responsável pelo caso ter sido pego de surpresa pela inação da PM e pelas imagens de policiais confraternizando com golpistas.>
De acordo com pessoas que acompanharam o relato, Ibaneis aproveitou para rebater a tese de que a PM teria escoltado os golpistas até a praça dos Três Poderes.>
No depoimento, ele disse que a escolta é uma tática utilizada pelos policiais para conter os manifestantes.>
Ibaneis foi afastado por 90 dias do cargo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.>
Na decisão, o ministro lista os motivos do afastamento. Entre eles, a "omissão e conivência" do governador com os atos golpistas que resultou na "ausência do necessário policiamento" da Polícia Militar do DF, a autorização para a entrada de ônibus de manifestantes em Brasília e a "total inércia no encerramento do acampamento criminoso na frente do QG do Exército".>
Ainda no domingo (8), Ibaneis gravou um vídeo para pedir desculpas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelos atos golpistas, disse estar monitorando a situação e que os manifestantes são "verdadeiros vândalos, verdadeiros terroristas".>
"Quero me dirigir primeiramente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir desculpas pelo que aconteceu hoje na nossa cidade, à presidente do STF [Rosa Weber], a meu querido amigo Arthur Lira [presidente da Câmara], meu amigo Rodrigo Pacheco [presidente do Senado]", disse.>
Na quarta (11), a defesa de Ibaneis encaminhou um memorial ao ministro Alexandre de Moraes e se colocou à disposição do ministro.>
No documento, os advogados do governador afastado afirmam que o plano de ações de segurança pública para o domingo (8) foi sabotado, e que isso permitiu a invasão de golpistas às sedes dos três Poderes.>
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