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Fake news

Embaixada de Israel rebate Weintraub, que comparou operação da PF ao nazismo

O ministro da Educação comparou a operação da PF que cumpriu mandados de busca e apreensão no âmbito do inquérito das fake news à 'Noite dos Cristais', em que judeus foram mortos por nazistas

Publicado em 28 de Maio de 2020 às 17:09

Redação de A Gazeta

Publicado em 

28 mai 2020 às 17:09
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, participa do primeiro culto de Santa Ceia de 2020 da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional, em fevereiro
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, participa do primeiro culto de Santa Ceia de 2020 da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional, em fevereiro Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A embaixada de Israel no Brasil publicou uma nota em sua conta oficial no Twitter em que pede que não se use o holocausto como parte de discursos políticos e ideológicos. Mesmo que de forma não intencional, destaca a representação, o uso do holocausto no discurso público pode banalizar a memória e a tragédia do povo judeu.
A publicação acontece após o ministro da Educação, Abraham Weintraub, comparar em mais de uma publicação a operação da Polícia Federal no inquérito das fake news ao nazismo. Na quarta, disse que a operação seria como uma versão brasileira da "Noite dos Cristais", como ficou conhecida a noite de 9 de novembro de 1938, quando sinagogas, lojas e residências judias foram atacadas por nazistas e cidadãos alemães. Vários judeus foram mortos.
O episódio é considerado um marco no enrijecimento a perseguição do povo judeu pelo regime nazista. 
"Houve um aumento da frequência de uso do Holocausto no discurso público, que de forma não intencional banaliza sua memória e a tragédia do povo judeu. Pela amizade forte de 72 anos entre nossos países, pedimos que a questão do Holocausto fique à margem da política e ideologias", informou a embaixada, sem citar Weintraub.
Mais cedo, o cônsul geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi, repudiou as declarações de Weintraub. "O holocausto, a maior tragédia da história moderna, onde 6 milhões de judeus, homens, mulheres, idosos e crianças foram sistematicamente assassinados pela barbárie nazista, é sem precedentes. Esse episódio jamais poderá ser comparado com qualquer realidade politica no mundo", escreveu Lavi.

"NÃO É APENAS UMA NOTA DE REPÚDIO"

Além da mensagem, o cônsul ainda compartilhou publicações do Museu do Holocausto de Curitiba. Em uma série de tuítes, a instituição compartilhou materiais sobre o fato histórico ao qual se referiu o ministro. As publicações foram acompanhadas por uma arte com os dizeres "Não é apenas uma nota de repúdio".
O Comitê Judaico Americano, uma das principais organizações da comunidade judaica nos Estados Unidos, pediu um basta no uso político do Holocausto por autoridades do governo Jair Bolsonaro. “Chega! O reiterado uso político de termos referentes ao Holocausto por oficiais do governo brasileiro é profundamente ofensivo para a comunidade judaica e insulta as vítimas e os sobreviventes do terror nazista. Isso precisa parar imediatamente”, disse a associação pelo Twitter, em inglês.

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