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Investigação

Dino abre apuração sobre emendas destinadas a produtora de filme sobre Bolsonaro

Obra está no centro do desgaste da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que admitiu ter pedido recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master

Publicado em 15 de Maio de 2026 às 14:38

Agência FolhaPress

Publicado em 

15 mai 2026 às 14:38
BRASÍLIA - O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), abriu uma apuração preliminar sigilosa sobre emendas destinadas à produtora do filme "Dark Horse" ("Azarão"), sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O longa-metragem está no centro do desgaste da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, depois de áudios em que ele pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para finalizar a obra.
Deputados da base do governo já haviam entrado em março com uma representação no STF para que Dino investigasse suspeitas de desvios em emendas parlamentares destinadas a ONGs e projetos culturais.
Ministro Flávio Dino preside audiência de conciliação sobre as determinações feitas à União para adotar medidas de prevenção e combate aos incêndios na Amazônia e Pantanal.
Flávio Dino abriu investigação sobre suspeitas de desvios em emendas parlamentares para filme. ROSINEI COUTINHO/STF
Depois de o caso Flávio vir à tona, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) complementou o pedido, noticiando condutas do deputado Mário Frias (PL-SP) que, segundo ela, se encaixariam na mesma suspeita de irregularidade.
Frias é citado como possível intermediário nos trâmites com Vorcaro. Ele nega que os repasses tenham relação com o filme e diz que a verba era para "projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais".
Os aportes sob investigação são de autoria de Frias e de outros dois parlamentares do PL: a deputada Bia Kicis (PL-DF) e o deputado Marcos Pollon (PL-MS). Todos já foram intimados por Dino para se manifestar formalmente.
A produtora Go Up tem ligações com uma rede que já foi abastecida por emendas de deputados do PL e contrato com a prefeitura de São Paulo na gestão Ricardo Nunes (MDB).
A informação contrasta com a alegação de Flávio Bolsonaro, que em declarações públicas enfatizou haver "zero dinheiro público" no financiamento do filme sobre a vida e a trajetória política do seu pai.
Tabata e o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) afirmam que houve desvio de finalidade e descumprimento da decisão do STF que prevê critérios rígidos de transparência e rastreabilidade na execução das emendas.
Segundo a assessoria de Pollon, a emenda do parlamentar, de R$ 1 milhão, foi redirecionada para uma instituição oncológica e "não houve destinação de recursos para qualquer finalidade diferente daquela apresentada formalmente nos projetos".
Kicis afirma que a emenda passada por ela, de R$ 150 mil, também não tem relação com o filme, mas com projeto de natureza cultural e educativa, voltado à valorização da história nacional e ao fortalecimento da economia criativa.

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