Publicado em 16 de junho de 2021 às 16:16
A ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou em decisão desta quarta-feira (16) que a eventual existência de um gabinete paralelo no governo federal para gerir o enfrentamento da pandemia da Covid-19 "constitui fato gravíssimo" que pode "ter impactado diretamente no modo de enfrentamento da pandemia". >
A afirmação está na decisão em que manteve a quebra dos sigilos telefônico e telemático aprovada pela CPI da Covid contra Filipe Martins, assessor internacional da Presidência da República, e de Carlos Wizard, empresário e aliado do governo de Jair Bolsonaro. >
Wizard é investigado pela comissão sob a suspeita de integrar essa equipe paralela que não tinha vínculo formal com o governo e que seria responsável por elaborar medidas para enfrentar o coronavírus, entre elas a propagação de remédios como a hidroxicloroquina, sem eficácia comprovada contra o coronavírus. >
As investigações da CPI estão direcionadas aos 14 integrantes do grupo de assessoramento ao presidente para temas ligados à pandemia e com defesa de teses negacionistas. >
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Por meses, ao largo do Ministério da Saúde, médicos, atuais e ex-assessores palacianos, um empresário bilionário e até um congressista desprezaram a importância da vacina e enalteceram, em sintonia com Bolsonaro, a defesa de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid. >
Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, o gabinete paralelo participou de ao menos 24 reuniões no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada. Nelas estavam, por exemplo, a oncologista Nise Yamaguchi "em 5 encontros" e o deputado Osmar Terra (MDB-RS), que foi a 11. Há elementos ainda da participação de mais seis médicos. >
Ao rejeitar o pedido de Wizard contra a CPI da Covid, a magistrada disse que investigar os possíveis integrantes do gabinete paralelo é lícito e "enseja a análise de toda a atividade pública" dos envolvidos. >
"Tal investigação tem fundamento, portanto, na necessidade de permitir à CPI, dentro do seu campo de discricionariedade, que descortine todos os espectros possíveis da investigação, para que não sejam indevidamente limitados os poderes a ela conferidos pelo artigo 58 da Constituição Federal", afirmou. >
A ministra afirmou que a existência do gabinete paralelo, se comprovada, seria um fato grave porque que dificulta o controle de atos do Poder Público e a identificação de quem os praticou e sua respectiva responsabilização. >
O entendimento da ministra sobre o tema da quebra de sigilo vai na contramão das decisões dadas pelos ministros Kassio Nunes Marques e Luís Roberto Barroso, que anularam quebras de sigilo aprovadas pela CPI da Covid. >
A magistrada afirmou que medidas investigativas desta natureza estabelecidas por comissão parlamentar de inquérito não devem exigir "o mesmo nível de fundamentação típico de decisões judiciais". >
"Dadas as particularidades da presente CPI, que envolve sensível investigação sobre virtuais responsáveis, na estrutura governamental formal e informal, pelo quadro de emergência sanitária que hoje assola o país "e que já vitimou quase meio milhão de brasileiros", as quebras de sigilo telefônico e telemático assumem singular relevância", afirmou. >
Rosa Weber disse que vislumbrou, nos dois casos, a "existência de indícios mínimos e a presença de causa provável" para aprovação das medidas. >
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