Publicado em 1 de dezembro de 2021 às 09:52
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado sabatina nesta quarta (1º) o ex-ministro André Mendonça, indicado por Bolsonaro a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). >
A relatora, Eliziane Gama (Cidadania-MA), apresentou voto pela aprovação da indicação de André Mendonça ao STF. Em seu parecer, a senadora considera a sabatina um momento importante para afirmar princípios republicanos e também para superar, segundo ela, preconceitos, muitos deles, “artificiais e reforçados por falas enviesadas do próprio presidente da República". Ela se refere à fala de Jair Bolsonaro de que o indicado seria “terrivelmente evangélico”. >
Para a senadora, a documentação encaminhada à CCJ demonstra que André Mendonça "honrou a administração pública como servidor dedicado e diligente”.>
“Constata-se o seu notório saber jurídico e reputação ilibada, atendendo aos requisitos constitucionais previstos no art. 101 da Carta Magna”. >
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*Fonte: Agência Senado >
André Mendonça, indicado do presidente Jair Bolsonaro a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) e que será sabatinado nesta quarta-feira (1º) pelo Senado, diz ver o Brasil como um "celeiro do povo evangélico no mundo" e entende que o país está em "um processo de conversão" no qual essa corrente religiosa será majoritária em dez anos. >
As declarações foram dadas em maio de 2021 em um evento na Igreja Batista Getsêmani, em Minas Gerais, que fez parte de um périplo que o ex-ministro manteve ao longo do mandato em cultos de diferentes denominações evangélicas.>
Mendonça, que é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança, foi escolhido por Bolsonaro como forma de atender a uma promessa de indicar alguém "terrivelmente evangélico" para uma vaga no tribunal.>
"Creio que esse país vai ser o grande celeiro do povo evangélico no mundo. Eu creio nisso. Meus irmãos e minhas irmãs: em dez anos nós já seremos maioria neste país. Em dez anos. Não é porque é um processo de dominação. É um processo de restauração. É um processo de conversão", disse Mendonça, na ocasião.>
A fala ocorreu em um contexto em que o ex-advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça abordava atividades de educação religiosa de crianças, ocasião em que mencionou a necessidade de "salvar as futuras gerações" do país.>
Ainda sobre o avanço da população evangélica, ele afirmou: "É um processo para dar dignidade ao ser humano. É um processo para reconciliar o homem com o nosso Deus. É um processo, para que... ainda que seja uma brincadeira, dizer que o brasileiro vive de cachaça e pouco coração, o brasileiro vai viver do sangue de Jesus. E do poder do Espírito Santo".>
Também afirmou que não há como se "conformar com certas profecias". "Temos que nos indignar com um povo que, por vezes, não anda aos pés do nosso senhor Jesus Cristo.">
No histórico do Censo do IBGE, em 1980 os católicos eram 89,9%, e os evangélicos, 6,6% da população brasileira. No mais recente levantamento, de 2010, a proporção estava em 64,6% a 22,2%.>
Mendonça aguardou por quase cinco meses o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) pautar na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a sua sabatina, etapa obrigatória para a nomeação ao Supremo.>
No período, líderes evangélicos se mobilizaram e pressionaram o congressista para que a tramitação fosse levada adiante.>
O ex-ministro, desde antes da indicação ao Supremo, em julho, tem dito que possui compromisso com o Estado laico. Reafirmou isso em seu perfil em uma rede social em setembro, enquanto sua sabatina estava travada no Senado.>
Em entrevista à Folha e ao UOL em 2019, quando era ministro da Advocacia-Geral da União, disse que a defesa de alguém terrivelmente evangélico para a corte era apenas "um slogan" do presidente.>
Falou que a fé, de qualquer que seja a religião, não pode ser fator de influência em tomadas de decisões no âmbito da atuação profissional. "Há 20 anos tenho essa postura na AGU e não seria diferente fora.">
Em suas visitas a igrejas pelo país, temas diversos, como medidas do governo Bolsonaro e sua experiência profissional, também costumam fazer parte de seus discursos.>
Em 2019, ministrou palestra, por exemplo, com uma análise sobre "corrupção a partir da teologia".>
A crise sanitária decorrente do coronavírus também foi assunto com alguma frequência em suas participações nos encontros religiosos.>
Em abril deste ano, época do auge da pandemia no país, Mendonça disse que a situação era uma "calamidade literalmente digna de registros bíblicos" e pediu reflexões, afirmando que é uma doença que "iguala ricos e pobres".>
Em maio, em outra igreja, criticou, ao falar da pandemia, quem pensa "que as respostas vêm apenas da ciência". "A grande verdade é que a ciência não é capaz de responder aos inúmeros desafios vivenciados pela nossa sociedade. Muitos ainda querem idolatrar a ciência.">
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