Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 09:06
RIO DE JANEIRO - A Primeira Turma do STF (Suprema Tribunal Federal) começa a julgar nesta terça-feira (24) os acusados de planejar a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL).>
Presos desde março de 2024, o ex-deputado Chiquinho Brazão, seu irmão Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), e o ex-chefe de Polícia Civil Rivaldo Barbosa são apontados como os responsáveis por planejar a morte da vereadora. Eles negam participação no crime.>
Dois PMs também respondem sob acusação de auxiliar na preparação para o crime.>
Além do planejamento do crime, os irmãos Brazão também respondem à acusação de comandar uma organização criminosa para controle de territórios e grilagem de terras na zona oeste do Rio de Janeiro.>
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O caso está no STF em razão do crime ter ocorrido no período em que Chiquinho Brazão exercia o mandato de deputado federal. A Corte reservou dois dias para o julgamento. Ele começa às 9h desta terça e tem conclusão prevista para quarta-feira (25). Haverá transmissão pelo canal do STF no Youtube.>
A sessão será aberta com a leitura do relatório do processo feita pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Em seguida, começam as sustentações orais de acusação e defesa.>
O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, representante da PGR (Procuradoria-Geral da República) poderá falar por até uma hora e meia. Em seguida, a advogada de Fernanda Chaves, sobrevivente do atentado, terá uma hora para sustentar na tribuna como assistente da acusação. Em seguida, cada defesa terá uma hora para expor seus argumentos.>
Ao fim das sustentações orais, Moraes apresenta seu voto, seguido dos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente da Turma.>
Os acusados serão condenados se houver maioria de votos. Neste caso, os ministros decidirão a pena a ser estabelecida.>
A PGR afirma que Domingos e Chiquinho decidiram matar a vereadora para impedir que ela continuasse a prejudicar os interesses da família em práticas de grilagem de terras.>
O crime seria o ápice das desavenças entre os Brazão e integrantes do PSOL iniciadas em 2008 na CPI das Milícias, comandada pelo ex-deputado Marcelo Freixo na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). A investigação da Polícia Federal aponta que o crime começou a ser planejado em 2017 e que a preparação aumentou no segundo semestre do mesmo ano.>
Rivaldo teria sido consultado antes do crime e orientado que o homicídio não fosse cometido em trajeto que tivesse a Câmara Municipal como destino ou origem>
Outros dois policiais militares, Robson Calixto e Ronald Alves Pereira, são acusados de participar da trama.>
Boa parte da acusação é baseada na colaboração premiada de Ronnie Lessa, o ex-PM que confessou ter matado Marielle e Anderson. Ele afirmou que receberia como recompensa a autorização de explorar um área na zona oeste que poderia lhe render até R$ 25 milhões.>
As defesas negam as acusações e afirmam que a delação de Ronnie Lessa não foi acompanhada de provas que confirmem os relatos do ex-PM, como manda a lei.>
Apontam, por exemplo, que não há evidências independentes dos encontros relatados por Lessa e os irmãos Brazão, assim como não há prova de contato deles com Rivaldo Barbosa.>
Os acusados afirmaram em depoimento ao STF que Lessa está buscando proteger o ex-vereador Crisitano Girão, que também foi investigado pela Polícia Civil como um dos mandantes. Um dos argumentos é o fato do ex-PM ter tentado desvincular o ex-vereador de um outro homicídio em que os dois respondiam juntos. Lessa e Girão foram condenados juntos no ano passado por este crime, contrariando a versão do colaborador.>
A PGR afirma que depoimentos ao STF e outras provas comprovaram o comando dos irmãos Brazão numa milícia que atua na zona oeste, bem com seu poder de influência dentro da Polícia Civil.>
A acusação também diz que ficou clara a interferência de Rivaldo em investigações dentro da Delegacia de Homicídios, entre as quais a do caso Marielle, tema da segunda denúncia oferecida contra o delegado no último dia 13.>
Essas provas corroboram, para a Procuradoria, o cenário descrito na colaboração de Lessa. A PGR também alega que a ocultação de provas é uma característica de organizações criminosas como as milícias, principalmente com o envolvimento de policiais experientes, como Rivaldo.>
Dez pessoas já foram condenadas por envolvimento no caso.>
Os ex-PMs Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram condenados pelo duplo homicídio contra a vereadora, Anderson e a tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, sobrevivente que estava no carro ao lado de Marielle no momento do atentado.>
Lessa foi o responsável pelos disparos, enquanto Queiroz atuou como motorista do carro usado na perseguição. Os dois firmaram acordo de colaboração premiada com a PF e confessaram o crime. Eles foram sentenciados a penas de, respectivamente, 78 e 59 anos de prisão.>
A Justiça do Rio de Janeiro também condenou o ex-PM Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, e a advogada Camila Nogueira sob acusação de obstrução das investigações do caso.>
O ex-policial prestou depoimento falso ao acusar o miliciano e ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, de ter planejado a morte de Marielle com o vereador Marcello Siciliano. Nogueira, segundo a acusação, foi a responsável por orientar a farsa. Os dois negam o crime.>
A PF afirma que o depoimento do ex-PM, prestado em abril de 2018, um mês após o crime, atrasou em quase oito meses a investigação do caso. A pista falsa foi seguida pela Divisão de Homicídios, atrapalhando a identificação dos reais culpados pelos homicídios.>
Edilson Barbosa dos Santos, o Orelha, também foi condenado a cinco anos de prisão sob acusação de ser o responsável pela destruição do veículo utilizado na emboscada. Ele foi preso com base na delação de Queiroz.>
O possível desaparecimento da arma usada no crime também provocou condenações. Além do ex-PM, foram acusados pelo crime Elaine Lessa (mulher do ex-PM), Bruno Pereira Figueiredo (cunhado de Lessa), José Marcio Mantovano e Josinaldo Lucas Freitas.>
Eles foram apontados como os responsáveis por lançar ao mar uma série de armas mantidas por Lessa num apartamento. A suspeita é de que, em meio ao arsenal, estivesse a submetralhadora MP-5 utilizada pelo ex-PM na emboscada contra Marielle e Anderson.>
O ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa também foi condenado sob acusação de participar do descarte das armas. Além disso, ele também está preso e foi denunciado sob acusação de ter atuado no planejamento do crime, realizando campanas para o monitoramento da vereadora.>
A PGR também ofereceu denúncia contra o delegado Giniton Lages, o policial Marco Antonio de Barros Pinto e Rivaldo Barbosa sob acusação de conduzir a investigação de forma a proteger os reais executores e mandantes do crime. Eles negam a acusação.>
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