Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 11:50
BRASÍLIA - O Brasil teve a maior queda de matrículas na educação básica em quase duas décadas, com a redução de 1 milhão de alunos entre 2024 e 2025, segundo o Censo Escolar. A variação negativa mais intensa ocorreu no ensino médio e também houve redução de alunos na educação infantil, o que não ocorria desde a pandemia.>
A edição de 2025 do Censo Escolar foi divulgada nesta quinta-feira (26) pelo MEC (Ministério da Educação). Os dados, que trazem o panorama da educação brasileira, são de responsabilidade do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), ligado ao ministério.>
O Censo Escolar registrou 46.018.380 matrículas na educação básica em 2025, em 178 mil escolas públicas e privadas de todo o país. O total de alunos representa redução de 2,3% ante o apurado no ano anterior, quando eram 47.088.922 matrículas.>
Uma variação negativa tão grande só foi anotada em 2007, quando houve mudanças na metodologia do levantamento, que passou a computar dados a partir do CPF dos alunos. Naquele ano, a queda foi de 5,21%.>
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A redução de matrículas no ensino médio foi o que mais surpreendeu, com uma queda de 5,4%. Ao levar em conta só o ensino público, a redução foi de 6,3%.>
As redes estaduais, que concentram 8 em cada 10 alunos do ensino médio no país, perderam 428 mil alunos de 2024 a 2025. A rede privada, entretanto, teve alta de 0,6% nas matrículas.>
O indicador agregado para a etapa registrou 7.370.879 matrículas em 2025. Eram 7.790.396 no ano anterior.>
Não foram disponibilizadas informações mais robustas que permitem explicar o fenômeno, como taxas de abandono, reprovação e aprovação. Alterações demográficas também podem contribuir para a movimentação.>
Houve ainda uma alteração, na edição de 2025, no formato de cadastro das matrículas do ensino médio técnico profissional, com a inclusão de uma nomenclatura que não constava nas edições anteriores.>
A queda de alunos na educação básica tem sido contínua nos últimos anos em razão de uma transição demográfica (com o nascimento de menos crianças), sendo observada sobretudo no ensino fundamental. Em 2025, as matrículas entre o 1º e o 9º anos tiveram leve redução (-0,75%), passando de 26 milhões para 25,8 milhões de alunos — um ritmo de queda similar a anos anteriores.>
Os dados sobre educação de tempo integral tiveram avanços no país. O percentual de estudantes com 7 horas ou mais de aulas diárias foi de 17,6% nos anos iniciais do ensino fundamental, de 20% nos anos finais, considerando escolas públicas e privadas. No ensino médio, o índice foi de 26,8% na rede pública.>
Na educação infantil, que compreende creche e pré-escola, houve uma primeira queda de matrículas desde 2021, ano impactado pela pandemia. O total de alunos, de escolas públicas e privadas, foi de 9,5 milhões em 2024 para 9,3 milhões no ano passado.>
Houve aumento de matrículas de creche na rede pública, que passou de 2,80 milhões em 2025 para 2,83 milhões em 2025, e queda na rede privada: de 1,38 milhão para 1,35 milhão.>
Já na pré-escola houve queda de modo generalizado. Na rede pública, houve redução de 3,2%. O número de alunos nessas escolas passou de 4,13 milhões em 2024 para 3,99 milhões no ano passado.>
A EJA (Educação de Jovens e Adultos) registrou nova redução no número de alunos, dessa vez de 5,8%. Eram 2,5 milhões em 2024, contra 2,4 milhões no ano passado.>
O país registra 2,40 milhões de professores na educação básica em 2025. Um aumento com relação a 2024, quando havia 2,36 milhões de docentes.>
O número de alunos de educação especial também cresceu. Passou de 2 milhões para 2,4 milhões, uma alta de 18,4% entre 2024 e 2025.>
Já a educação indígena teve um leve retrocesso em termos de matrículas. Eram 294 mil estudantes nessa modalidade em 2024, o que passou para 288 mil no ano passado.>
As matrículas de educação profissional no ensino médio tiveram um salto de 24% em 2025, sobretudo por causa da oferta de itinerários formativos dessa modalidade dentro da carga horária dos alunos.>
A reforma do ensino médio, cujas regras foram criadas em 2017 e foram alteradas em 2024, prevê a oferta de cinco itinerários formativos: linguagens, ciências humanas, ciências da natureza, matemática e ensino técnico profissionalizante. A previsão é que os alunos escolham qual área seguir.>
O Censo registra 3,19 milhões de alunos de educação profissional — eram 2,6 milhões em 2024. Do total do ano passado, 2,19 milhões estão em escolas públicas.>
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