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Pandemia da Covid-19

Bolsonaro sobre número de mortes por coronavírus: 'Não sou coveiro'

Presidente não quis mais falar sobre a relação entre a mortalidade da doença e medidas de restrição

Publicado em 21 de Abril de 2020 às 08:38

Redação de A Gazeta

Publicado em 

21 abr 2020 às 08:38
Jair Bolsonaro durante pronunciamento em rede nacional
  Crédito: Isac Nóbrega/PR
Enquanto defende a abertura de escolas e do comércio em meio à pandemia de coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não quis falar sobre qual seria o número de mortes que ele julga aceitável para defender essas medidas -desaconselhadas por órgãos de saúde.
Questionado pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (20) a respeito das mortes, Bolsonaro disse: "Eu não sou coveiro", e não quis mais falar sobre a relação entre a mortalidade da doença e medidas de restrição.
O Ministério da Saúde corrigiu dados que tinha divulgado mais cedo e afirmou que o país registrou 113 novas mortes por coronavírus nas últimas 24 h, e não o numero de 383, que seria recorde. Ao todo, são 2.575 óbitos no país por Covid-19.
Bolsonaro falou com a imprensa na noite desta segunda na entrada do Palácio da Alvorada. Em tom de anúncio, disse que havia conversado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a abertura das escolas cívico-militares e também do colégio militar na capital federal já na próxima segunda-feira (27).
O DF tem dez escolas cívico-militares e um colégio ligado ao Exército. Bolsonaro disse ainda defender a abertura de todos os colégios militares do país -são 13 unidades ligadas ao Exército. No modelo cívico-militar, a gestão é compartilhada com a PM ou bombeiros, mas a unidade é ligada à secretaria de Educação estadual ou municipal.
Bolsonaro disse que a abertura de escolas no DF seria um primeiro passo "no tocante à educação" e que os pais ainda estão com medo. Ainda não há definição final.
Governos de vários países determinaram o fechamento de escolas como forma de reduzir a infecção pelo Covid-19 por causa da concentração de pessoas provocada pelas aulas.
Questionado sobre a possibilidade de alta na transmissão ao abrir as escolas, Bolsonaro disse que não é médico, voltou a falar de economia e a pressionar governadores.
"O nosso ministro da saúde também é economista, coincidência ou não, é um bom nome para estar à frente do ministério", disse ele, que citou decreto do governo de Goiás que flexibiliza as restrições de circulação e relatou ter falado sobre o assunto com o o ex-ministro e deputado Osmar Terra (MDB-RS) -médico que defende isolamentos mais brandos.
"Também conversei com Paulo Guedes (Economia) hoje e o que acontece. A intenção nossa é ajudar [as pessoas que perderam renda com as restrições da pandemia], mas ajudar até quando? Os governadores têm que sinalizar também. E outra, é realidade, em média 70% vai [sic] pegar o vírus. Não adianta ficar fugindo dessa realidade, ninguém contesta esse percentual."
O presidente defende o relaxamento das restrições de circulação adotadas por governos estaduais, indicadas por órgãos de saúde, especialistas e também determinadas em praticamente todos os países que enfrentam a pandemia.
O presidente até trocou o ministro da Saúde para ter ao seu lado um nome mais alinhado com aquilo que defende. Saiu Luiz Henrique Mandetta, que defendia medidas de isolamento mais sérias, e entrou o médico oncologista Nelson Teich.
Bolsonaro disse que fez apenas uma indicação para a equipe do novo ministro. Questionado se defendia o general Eduardo Pazuello para o cargo de nº 2 da pasta, ele disse que a decisão era do ministro, mas elogiou o general.
"Vamos supor que seja ele, não é porque é general, é uma pessoa responsável por ter realizado a Olimpíada no Rio. É o homem que organizou a complexa Operação Acolhida, é um gestor fenomenal, mas quem vai decidir vai ser o nosso ministro".

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