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Aliados criticam

Bolsonaro diz que 'não tem nada de mais' em nota de recuo, após críticas

O presidente Jair Bolsonaro minimizou a nota publicada na tarde desta quinta-feira (9) na qual recua dos ataques feitos às instituições no feriado de 7 de Setembro

Publicado em 10 de Setembro de 2021 às 09:54

Agência FolhaPress

Publicado em 

10 set 2021 às 09:54
Presidente Jair Bolsonaro discursa durante ato favorável ao seu governo
Presidente Jair Bolsonaro discursa durante ato favorável ao seu governo Crédito: Danilo Verpa/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) minimizou a nota publicada na tarde desta quinta-feira (9) na qual recua dos ataques feitos às instituições no feriado de 7 de Setembro.
Bolsonaro confirmou que o texto foi elaborado com a ajuda do ex-presidente Michel Temer (MDB), mas disse que não há "nada de mais" na publicação.
"Eu telefonei ontem à noite pro Michel Temer, falei com ele hoje de manhã novamente. Ele veio a Brasilia, por dois momentos conversou comigo aqui, pouco mais de uma hora. Ele colaborou com algumas coisas na nota, eu concordei e publicamos. Não tem nada de mais ali", afirmou durante live transmitida nas redes sociais.
Mais cedo, Bolsonaro divulgou nota afirmando que não teve "nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes".​
"Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar", afirmou o presidente no texto.
A divulgação da nota deixou desnorteada sua base de apoio mais estridente em redes sociais. Influenciadores bolsonaristas criticaram a atitude de Bolsonaro.
"Muitos estão batendo em mim por causa da nota. Não vejo nada de mais aqui, uma nota precisa, objetiva", completou o presidente.
Bolsonaro disse que os caminhoneiros fizeram uma manifestação fantástica e se preparam para desmobilizar os atos até domingo (12).
"Vão suspender depois de domingo. Essa é ideia de muitos deles ali. Fui bem claro: se passar de domingo, segunda, terça, começa a ter problema seríssimo de abastecimento, influência na economia, aumenta inflação. Problemas se voltam contra nós", afirmou o presidente, que recebeu um grupo de caminhoneiros no Planalto mais cedo.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do DF afirmou que os manifestantes devem liberar as vias da Esplanada dos Ministérios nesta sexta-feira (10).
Bolsonaro disse ainda que quis mostrar com a nota que está "pronto para conversar", inclusive com Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a quem tem atacado nos últimos meses.
"Eu acho que eu dei ali a resposta seguinte: eu estou pronto para conversar, por mais problemas que eu tenha com Arthur Lira, com Rodrigo Pacheco, com ministro Fux, com Barroso lá do TSE... tem que conversar com o Barroso, ainda que hoje ele deu um cacete aí em mim. Tô pronto para conversar com o Barroso, todo mundo quer transparência."
Ao abrir a sessão do TSE nesta quinta, Barroso fez um duro discurso para rebater as acusações que o chefe do Executivo faz sobre o sistema eleitoral, além dos ataques pessoais a ele dirigidos pelo mandatário.
Barroso chamou o mandatário de "farsante" e disse que "o populismo vive de arrumar inimigos para justificar o seu fiasco".
Durante a live, Bolsonaro ainda disse que não brigou com "instituição nenhuma" e que a briga dele é "pontual com algumas pessoas".
"Reiterei meu respeito às instituições, você pode brigar com um ministro do Supremo, com um senador, mas não com o Senado, com o Supremo. Tenho certeza que bons frutos aparecerão nos próximos dias."
Bolsonaro passou os últimos dois meses com seguidos ataques ao STF e xingamentos a alguns de seus ministros como estratégia para convocar seus apoiadores para os atos do 7 de Setembro, quando repetiu as agressões e fez uma série de ameaças à corte e a seus integrantes.
Os principais alvos de Bolsonaro sempre foram os ministros Alexandre de Moraes e Barroso. No 7 de Setembro, porém, buscou também emparedar o presidente do STF, ministro Luiz Fux.
"Essas questões [embates com o STF] devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no artigo 5º da Constituição Federal", disse o presidente no texto assinado por ele.
Antes da divulgação do texto, Bolsonaro conversou por telefone com Moraes, conforme antecipou o jornal Folha de S.Paulo. A ligação foi mediada por Temer, responsável pela indicação de Moraes ao STF quando estava na Presidência da República.
Temer desembarcou em Brasília pela manhã e voltou para São Paulo no final da tarde. O responsável por intermediar a conversa foi o AGU (Advogado-geral da União), Bruno Bianco. Também participaram do encontro os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo).

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