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Acordos brasileiros por vacina russa contra a Covid-19 estão parados

Enquanto o registro não avança no Brasil, o presidente argentino, Alberto Fernandéz, garantiu nesta quinta-feira (10) que a vacinação com a Sputnik V vai começar ainda em 2020

Publicado em 11/12/2020 às 12h00
Pfizer e a BioNTech fecharam um acordo para fornecer 200 milhões de doses de vacina contra a Covid-19
Resultados parciais indicaram que a Sputnik V é 92% eficaz na proteção das pessoas contra a Covid-19. Crédito: Foto de Anna Shvets/ Pexels

Os acordos para compra e eventual produção pelo Brasil da Sputnik V, vacina russa contra o novo coronavírus, ainda não avançaram.

O governo do Paraná anunciou a parceria em agosto e afirmou que, até o final de setembro, submeteria o protocolo de validação da fase 3 de estudos clínicos da vacina à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), necessário para o registro no Brasil. Porém isso não aconteceu.

Já o Executivo da Bahia, que fechou acordo pela vacina em setembro, afirmou que está ajudando o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), detentor da patente da Sputnik V, nos procedimentos junto à Anvisa.

O secretário de saúde baiano, Fábio Vilas-Boas, apontou que, ao lado do governador, Rui Costa (PT), reuniu-se nesta quarta-feira (9) com membros do RDIF para seguir com os estudos necessários.

"Vamos ajudá-los na realização do estudo clínico que a Anvisa solicitou com brasileiros. O governo baiano irá apoiar, inclusive financeiramente, se necessário, a condução desse estudo para que a vacina tenha esse registro o mais rápido possível", disse Vilas-Boas à Folha, sem detalhar prazos.

A intenção, segundo o secretário, é obter ao menos 50 milhões de doses do imunizante.

No caso do Paraná, a Anvisa disse estar "em tratativas" com o governo do estado e com o Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná), por meio do qual a primeira parceria foi firmada, para que a vacina obtenha o registro no Brasil.

"Essas reuniões são de caráter preliminar, antecipando possíveis demandas futuras", detalhou a agência.

Como o desenvolvimento clínico da Sputnik V foi totalmente conduzido na Rússia, a Anvisa não precisa dar anuência prévia para os estudos clínicos, mas é necessário que os russos cumpram os devidos procedimentos para registrar o imunizante.

Em outubro, a Agência recebeu pedido de avaliação de documentos preliminares referentes à vacina, mas explicou que não se tratava de um pedido para testes clínicos, nem de registro da imunização.

Procurada pela Folha, a assessoria do Tecpar informou que questionamentos sobre o protocolo da imunização deveriam ser direcionados ao fundo russo, que, igualmente solicitado, não respondeu às perguntas da reportagem.

Enquanto o registro não avança no Brasil, o presidente argentino, Alberto Fernandéz, garantiu nesta quinta-feira (10) que a vacinação com a Sputnik V vai começar ainda em 2020 no país, após acordo com a Rússia.

O contrato, segundo ele, prevê uma primeira remessa de 600 mil doses, suficientes para imunizar 300 mil argentinos, ainda neste ano. Entre janeiro e fevereiro, outros 10 milhões de cidadãos do país vizinho também devem tomar a vacina. A Argentina tem cerca de 44 milhões de habitantes.

Fernández disse ainda que ele mesmo será o primeiro a ser vacinado para afastar dúvidas sobre a qualidade científica da imunização russa.

A parceria com os russos é a terceira firmada pela Argentina para aquisição de imunizantes contra a Covid-19. Eles também têm acordos com a AstraZeneca e a Universidade de Oxford e com o Covax Facility, instrumento de acesso global a vacinas.

Resultados parciais indicaram que a Sputnik V é 92% eficaz na proteção das pessoas contra a Covid-19, segundo divulgou o governo russo em novembro. O imunizante foi o primeiro a ser aprovado de maneira emergencial no mundo, em agosto. Mas, os estudos ainda geram desconfiança da comunidade científica, que vê falta de transparência no processo.

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