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Trânsito

Acidentes com motos se concentram em vias sem sinalização e radares, diz pesquisa

Dos casos relatados, 70% não havia sinalização de limite de velocidade no local onde ocorreu o acidente

Publicado em 22 de Maio de 2026 às 11:14

Agência FolhaPress

Publicado em 

22 mai 2026 às 11:14
 As vias precisam estar preparadas para reduzir a gravidade dos acidentes e evitar a letalidade Valentin Sarte / Pexels
Um levantamento realizado entre motociclistas internados no Hospital das Clínicas, em São Paulo, mostra que 95% dos acidentes que os levaram até a hospitalização ocorreram em vias que não contavam com fiscalização eletrônica de velocidade.
O trabalho ainda aponta que em quase 70% dos casos relatados não havia sinalização de limite de velocidade no local onde ocorreu o acidente.
Os dados fazem parte de um estudo realizado pelo Instituto Cordial em parceria com a Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego).
Entre os dias 29 de agosto do ano passado e 16 de março de 2026 foram entrevistados presencialmente 66 motociclistas internados no hospital da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). Os entrevistadores também questionaram 20 acompanhantes, cinco passageiros e dois pedestres.
Também foram analisadas informações do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) anexadas aos prontuários dos pacientes.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo diz que a cidade conta com 877 equipamentos de fiscalização eletrônica. Desses, 837 captam infrações de excesso de velocidade, inclusive de motos.
Luis Fernando Villaça Meyer, diretor de operações do Instituto Cordial e um dos responsáveis pela pesquisa com pacientes do HC, afirma que a infraestrutura e a gestão de vias precisam estar preparadas para absorver o erro humano, reduzindo sua gravidade e evitando a letalidade.
"A pesquisa mostra que muitos destes fatores ligados à via precisam melhorar, dos quais a sinalização e a fiscalização de velocidade se destacam", afirma.
Um estudo realizado pela Unidade Internacional de Pesquisas em Lesões, da universidade Johns Hopkins (EUA), em parceria com a USP, publicado no ano passado, apontou que 4 em cada 10 motociclistas da cidade de São Paulo trafegam em excesso de velocidade.
Mariana Novaski, coordenadora de dados e vigilância da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, entidade que acompanha os estudos da universidade Johns Hopkins, afirmou no ano passado à reportagem, depois da publicação do estudo, que a dificuldade de fiscalização de motos proporciona que seus condutores corram mais que o permitido.
Meyer afirma que o estudo sinaliza que a presença desses equipamentos pode inibir os acidentes.
Na nota, a prefeitura diz que a fiscalização de velocidade de motocicletas ocorre por meio de radares que são capazes de captar a imagem da placa traseira do veículo.
"A leitura é feita por meio de tecnologia óptica avançada, capaz de medir a velocidade identificando a placa com precisão, mesmo quando a motocicleta trafega fora do alinhamento convencional da via ou dos sensores instalados no asfalto", diz a prefeitura.
O diretor do instituto afirma que os dispositivos de fiscalização eletrônica que não captam motocicletas são cada vez mais residuais. Isso ocorre por diversos motivos, como a posição da câmera, a massa metálica da motocicleta ou a posição de circulação na via.
"Os radares mais modernos têm cada vez menos esse problema. E de toda forma, o dispositivo sempre funciona como mecanismo de dissuasão ao comportamento inadequado, ou seja, ajuda a inibir a velocidade excessiva", afirma.
O estudo também aponta que 65% dos acidentes ocorreram na faixa de rolamento. Ou seja, os motocicletas não estavam no corredor entre os demais veículos.
Com 233,3 km implantados em 46 vias da capital paulista, a gestão Ricardo Nunes (MDB) aposta na ampliação da faixa azul —sinalização no asfalto para circulação exclusiva de motocicletas e que retira as motos do meio dos veículos ou das pistas convencionais—para reduzir esse tipo de acidente.
A meta da prefeitura paulistana é ampliar a sinalização para 400 km até 2028.
Mas, como mostrou a Folha de S.Paulo, a autorização para a expansão do projeto-piloto, implantado inicialmente na cidade de São Paulo, está parada na Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito).
De acordo com a pasta federal, após o prazo de realização do estudo experimental, a secretaria formalizou a todas as cidades em que a sinalização para motos é testada para que encaminhassem seus relatórios finais até o último dia 30.
"A cidade de São Paulo apresentou a documentação no prazo e o relatório está sob análise dos técnicos da secretaria, sem data para conclusão", afirma em nota.
Segundo a Senatran, esses municípios foram autorizados a manter a sinalização ativa até que a decisão final para a continuidade da condição experimental ou para regulamentação definitiva da matéria.
"O corredor é em si um desafio, porque essa área da via não é projetada para a circulação de motocicletas. Mas um dos principais problemas é a alta velocidade que os motociclistas conseguem atingir e a diferença relativa deles em relação aos veículos nas faixas vizinhas", diz o diretor do Cordial.
Outros dados do estudo mostram que, dos acidentes em cruzamentos (28% da amostra do Hospital das Clínicas), apenas 26% ocorreram em locais equipados com semáforo.
Também que 40% das vítimas estavam na faixa etária entre 20 a 29 anos, que 95% eram homens e que 80% delas tinham CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

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