Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Assassinato do general iraniano agrava as perspectivas para o Brasil
Consequências

Assassinato do general iraniano agrava as perspectivas para o Brasil

Como o Brasil acompanha os aumentos dos preços do barril de petróleo no mundo, tal fato poderá impactar negativamente na economia pelas vias da elevação dos custos de produção de bens e serviços

Publicado em 13 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

13 jan 2020 às 04:00
Rodrigo Medeiros

Colunista

Rodrigo Medeiros

Ali Khamenei, Donald Trump e a tensão entre EUA e Irã após bombardeio no Iraque Crédito: Reprodução
Após o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani, no dia dois de janeiro, é possível dizer que as recentes perspectivas otimistas ventiladas pelo apoio organizado ao modelo neoliberal aprofundado que se pretende efetivar no Brasil serão brevemente revistas para baixo. Esse processo de revisão anual de expectativas de desempenho econômico para baixo tem ocorrido desde o processo de impeachment, em 2016. Não surpreenderia, portanto, que ele se mantivesse neste ano.
Do ponto de vista dos efeitos regionais do atentado que matou o general iraniano, pode-se dizer que provavelmente ocorrerá a elevação das pressões inflacionárias na América Latina. Na medida em que o Brasil, por sua vez, acompanha os aumentos dos preços do barril de petróleo no mercado mundial, tal fato poderá impactar negativamente na economia pelas vias da elevação dos custos de produção de bens e serviços, dificultando reduções expressivas no elevado desemprego e na precarização laboral ainda em curso. O Banco Central elevaria a taxa básica de juros para conter pressões inflacionárias, inclusive de repasses cambiais.
Em um recente artigo publicado no site "Project Syndicate", no dia três de janeiro, o professor José Antonio Ocampo, da Universidade de Columbia (EUA), afirma que “os problemas econômicos da América Latina começaram muito antes da atual onda de instabilidade regional. A América Latina alcançou um crescimento mais rápido - uma taxa média anual de 5,5% - nos 30 anos que antecederam a década perdida de 1980, quando a industrialização liderada pelo Estado estava na ordem do dia, do que nos 30 anos que se seguiram”. Segundo Ocampo, “a ortodoxia econômica adotada há três décadas ridicularizou a abordagem liderada pelo Estado e instou os países latino-americanos a empreender reformas de mercado, que, até o momento, não cumpriram sua promessa”.
A desarticulação de suas políticas industriais após as crises das dívidas externas, os efeitos da "doença holandesa" do superciclo dos preços das commodities após 2003 e a crescente concorrência global da China levaram à desindustrialização prematura da região. Essa desindustrialização prematura, por sua vez, afetou o potencial de crescimento regional.
Essa desindustrialização prematura faz com que seja mais difícil para a região escapar da “armadilha de renda média”, um ambiente no qual convivem desigualdades sociais extremas e riscos à democracia. De acordo com Ocampo, “embora a demanda chinesa por exportações de commodities da América Latina tenha crescido na última década, ela ainda é insuficiente para compensar as perdas nas manufaturas”.
Como recomendação central, José Antonio Ocampo, ex-ministro das Finanças da Colômbia, sugere que os governos da região promovam um processo de reindustrialização, buscando inclusive uma maior integração econômica regional, apoiando o comércio intrarregional de bens manufaturados, e investindo em ciência e tecnologia. As sociedades na América Latina, que vivem um clima de convulsão social, enfrentam grandes e complexos desafios. Nesse sentido, aprofundar reformas de caráter neoliberal não parece um caminho sensato a ser seguido.

Rodrigo Medeiros

E professor do Instituto Federal do Espirito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Aniversário de 30 anos da CBN Vitória
CBN Vitória celebra 30 anos com "Fim de Expediente ao vivo e coquetel para convidados
Imagem de destaque
Vitória de Lula pode ser tão estratégica para Trump quanto a de Flávio Bolsonaro, diz professor Guilherme Casarões
democracia
Democracia: o fio invisível que sustenta o desenvolvimento

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados