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Jorge Oliveira

Artigo de Opinião

É presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO ArcelorMittal Aços Planos LATAM
Jorge Oliveira

Soberania industrial: o aço é o alicerce dessa construção

Defender o aço nacional, como temos feito nos últimos anos, é defender o crescimento econômico, o emprego de qualidade e a renda
Jorge Oliveira
É presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO ArcelorMittal Aços Planos LATAM

Públicado em 

09 abr 2026 às 10:00
A história das nações que hoje ocupam o topo da pirâmide econômica global não foi escrita por acaso. Ela é o resultado direto de uma escolha deliberada: a construção de uma base manufatureira robusta, resiliente e tecnologicamente avançada. Olhando para o cenário internacional, fica claro que não discutimos apenas números da balança comercial, e sim a soberania industrial. Não existe nação forte sem indústria forte.
A indústria do aço nacional não é apenas um setor econômico, mas a ponta de lança que define a capacidade do Brasil de ser protagonista, e não apenas espectador, das cadeias globais de valor, principalmente num mundo afetado por conflitos geopolíticos imprevisíveis.
No dia 9 de abril, quando celebramos o Dia Nacional do Aço, somos convocados a uma reflexão profunda sobre o papel dele no projeto de nação que desejamos. O aço é a base da modernidade. Ele atua como o coração de um ecossistema que irriga segmentos vitais: da indústria automotiva e da linha branca à energia, infraestrutura e construção civil.
Produção de placas de aço na ArcelorMittal Tubarão
Produção de placas de aço na ArcelorMittal Tubarão Crédito: ArcelorMittalTubarão/Divulgação
Países fortes possuem indústrias fortes porque compreendem que a manufatura é o maior multiplicador de prosperidade existente. No Brasil, o setor do aço é um gigante que possui uma capacidade instalada de cerca de 51 milhões de toneladas de aço bruto por ano, colocando-nos como o maior produtor da América Latina e um dos principais players globais.
Defender o aço nacional, como temos feito nos últimos anos, é defender o crescimento econômico, o emprego de qualidade e a renda. A capilaridade do setor é incomparável: cada posto de trabalho gerado no chão de fábrica de uma planta industrial sustenta uma vasta rede de serviços, logística e suprimentos. É um ciclo que promove o desenvolvimento regional sustentável e a qualificação da mão de obra. Contudo, esse motor enfrenta desafios críticos. Um deles é a desindustrialização.
Os números do IBGE são um alerta dramático: em 1985, a indústria de transformação representava cerca de 36% do PIB brasileiro. Hoje, esse patamar oscila entre 11% e 12%. Se considerarmos a indústria geral (transformação, extrativa e construção), a queda foi de 48% para cerca de 25%. Essa retração compromete a nossa capacidade de inovação e nos torna vulneráveis a choques externos. Quando a indústria encolhe, o país perde capital intelectual e tecnologia que levaram décadas para serem desenvolvidos. Nesse cenário perigoso, fortalecer o "Feito no Brasil" é um ato de inteligência estratégica.
Outro desafio é que a indústria do aço brasileira opera com um nível de ociosidade preocupante, desafiada pela entrada massiva de produtos importados em condições de concorrência desleal, muitas vezes subsidiados em seus países de origem. O Instituto Aço Brasil tem alertado para o fato de que o excedente de capacidade global, que ultrapassa as 600 milhões de toneladas e com perspectiva de ultrapassar 700 milhões de toneladas até 2027, busca mercados abertos como o nosso, ameaçando a sustentabilidade das nossas usinas. Medidas de defesa comercial têm sido adotadas pelo governo e temos mantido diálogo constante para avaliar a eficiência e buscar alternativas.
Para que o aço brasileiro continue a ser a base da nossa infraestrutura, precisamos fazer frente às distorções do comércio internacional. É uma questão de resiliência: economias que dependem exclusivamente de suprimentos externos descobrem, em momentos de crise, o preço da perda de sua autonomia produtiva. Os atuais conflitos no Oriente Médio mostram exatamente isso.
O futuro do Brasil passa, obrigatoriamente, por uma indústria valorizada e reconhecida como o motor do bem-estar social. O setor do aço brasileiro já é um dos mais eficientes do mundo em termos de sustentabilidade, utilizando uma matriz energética mais limpa do que a média global, com forte presença de carvão vegetal de florestas plantadas e altos índices de reciclagem de sucata. O futuro também passa pelas pessoas que integram nossos times, que, com dedicação diária, transformam compromisso, conhecimento e trabalho em desenvolvimento para o país.
Para que essa vocação se transforme em crescimento real, precisamos estancar a desindustrialização com urgência. Isso envolve reformas estruturais, redução do Custo Brasil e o fortalecimento de programas como o Nova Indústria. Precisamos de um país que cada vez mais enxergue na indústria a solução para a produtividade nacional.
A construção do país que desejamos para as próximas gerações começa agora, com a defesa de nossos ativos e a valorização da nossa capacidade técnica. O aço é o alicerce dessa construção. Fortalecê-lo é garantir que tenhamos a firmeza necessária para construir nosso próprio destino. É hora de o Brasil olhar-se no espelho, avaliar de frente o reflexo da realidade e construir o nosso futuro.
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