Não é aconselhável ter nenhum tipo de investimentos se você ainda não construiu sua reserva de emergência.
Antes de prosseguir, porém, preciso fazer um esclarecimento importante: a reserva de emergência também é um investimento. Talvez o mais importante de todos. Quando afirmo que não é aconselhável ter investimentos antes dela, refiro-me aos investimentos voltados à construção de patrimônio, a projetos futuros ou à busca por maior rentabilidade.
Você pode pensar que comprar a casa própria, fazer uma poupança para o estudo dos filhos ou adquirir ações de empresas que acredita estarem em um momento de oportunidade única é tão importante quanto.
O que preciso dizer, como profissional, é que qualquer que seja a oportunidade de investimento, ela deve vir após a formação de sua reserva de emergência. Tenho certeza de que isso ficará mais claro ao compreendê-la.
Ao construir uma rotina diária, que envolve sua moradia, seu deslocamento para o trabalho, sua alimentação e a de sua família, seus cuidados com a saúde e seus momentos de lazer, estabelece-se, de maneira simultânea e natural, um custo de vida. Todos esses gastos se tornarão, para você, uma referência do que precisa ganhar ou receber para honrar essas despesas e manter o padrão de vida que estabeleceu para sua família.
É importante ter consciência de que grande parte das escolhas de consumo ocorre de maneira não deliberada. Ou seja, você acaba inserindo determinado custo em sua rotina sem nem mesmo ter refletido profundamente sobre sua necessidade e seus retornos.
Contudo, se algo repentino acontecer em sua trajetória, tal como a perda inesperada do emprego ou de alguma fonte de renda relevante, você será forçado a repensar item por item, avaliando o que é realmente essencial e o que é possível eliminar ou adiar para um momento futuro. Nesses momentos, você visualizará com mais clareza quais são os itens básicos para que sua vida continue progredindo.
A reserva de emergência é construída justamente com o objetivo de suprir essas necessidades consideradas básicas durante um tempo, até que você consiga respirar e recompor o seu orçamento. Convencionamos uma reserva equivalente a, no mínimo, seis meses dessas despesas, podendo ser maior para pessoas com renda mais variável. O que ratifico aqui é que esse deve ser seu primeiro investimento, cujo objetivo é gerar segurança para o seu orçamento.
Por isso, retomo a afirmação inicial. Antes de realizar investimentos voltados à construção de patrimônio, a projetos futuros ou à busca por maior rentabilidade, pense em garantir uma reserva de emergência que lhe dará suporte em eventuais momentos de dificuldade. Essa não é uma orientação ou sugestão pura e simples; é um direcionamento profissional, respeitando a base técnica e o compromisso com seu futuro financeiro.
Se você ainda não possui uma reserva de emergência, comece a construí-la. Que seja do zero ou por meio do remanejamento de parte dos recursos hoje destinados a outros investimentos. Surpresas e eventualidades acontecem. Como planejador financeiro profissional, trago essa reflexão para que possa tomar suas próximas decisões de investimentos com mais clareza e sentido.