Quanto vale um Picasso? A pergunta parece inevitável quando se fala de um artista cujas obras-primas já ultrapassaram a marca dos US$ 100 milhões em leilões internacionais.
Mas, diante de “Picasso: A construção de um gênio”, exposição realizada pelo Sesc-ES em comemoração aos 80 anos da instituição e que reúne 80 obras originais do artista, acredito que exista uma pergunta ainda mais interessante: quanto vale permitir que qualquer pessoa possa olhar para um Picasso?
Essa é uma das questões que mais me interessam nesta exposição. Em seus 80 anos de história, o Sesc construiu uma atuação profundamente ligada à democratização da cultura. Por isso, ter o Sesc como patrocinador master desta mostra é mais do que uma parceria: é a possibilidade de aproximar do público obras que, pelo seu valor e importância, poderiam parecer inacessíveis.
Essa é uma das questões que mais me interessam nesta exposição. Em seus 80 anos de história, o Sesc construiu uma atuação profundamente ligada à democratização da cultura. Por isso, ter o Sesc como patrocinador master desta mostra é mais do que uma parceria: é a possibilidade de aproximar do público obras que, pelo seu valor e importância, poderiam parecer inacessíveis.
Porque trazer obras dessa importância ao Brasil envolve uma operação que está muito além de simplesmente transportá-las de um país a outro. Há certificações, seguros, direitos autorais, conservação, logística especializada, controle ambiental e uma série de procedimentos que precisam garantir que cada obra chegue, seja exposta e retorne em segurança.
Estamos falando de obras originais, muitas delas exibidas no Brasil pela primeira vez, pertencentes a coleções privadas europeias. Entre os destaques estão conjuntos completos como a “Suite des Saltimbanques” e a “Tauromaquia”, além de cerâmicas, fotografias históricas e trabalhos de artistas que fizeram parte do universo criativo de Picasso.
E, dentro de todo esse universo, existe aquilo que considero especialmente significativo: o acesso gratuito. No mercado internacional, um Picasso pode alcançar cifras extraordinárias.
Estamos falando de obras originais, muitas delas exibidas no Brasil pela primeira vez, pertencentes a coleções privadas europeias. Entre os destaques estão conjuntos completos como a “Suite des Saltimbanques” e a “Tauromaquia”, além de cerâmicas, fotografias históricas e trabalhos de artistas que fizeram parte do universo criativo de Picasso.
E, dentro de todo esse universo, existe aquilo que considero especialmente significativo: o acesso gratuito. No mercado internacional, um Picasso pode alcançar cifras extraordinárias.
Mas o valor de uma obra de arte não pode ser reduzido ao seu preço. O mercado mede raridade, procedência, conservação, demanda, técnica. Não consegue medir o impacto de uma pessoa que entra em um espaço expositivo, talvez pela primeira vez, e se encontra diante de uma obra que até então parecia pertencer a um mundo distante.
É nesse ponto que uma exposição como esta assume uma dimensão cultural que vai além do próprio artista. A gratuidade, princípio tão presente na atuação do Sesc, permite que estudantes, famílias, especialistas, turistas e pessoas que nunca tiveram o hábito de frequentar museus compartilhem o mesmo espaço. A arte deixa de ser privilégio de quem pode pagar por ela e passa a cumprir, de maneira mais plena, sua função pública.
O primeiro fim de semana da exposição trouxe uma resposta eloquente: 3,5 mil pessoas visitaram a mostra. Mais do que um número, esse público traduz algo que quis construir com esta exposição: não apresentar um Picasso como um gênio isolado, distante e encerrado em um pedestal, mas revelar o artista inquieto e de invenção permanente, que pintou, desenhou, gravou, esculpiu, trabalhou com cerâmica e transformou continuamente suas próprias ideias.
É nesse ponto que uma exposição como esta assume uma dimensão cultural que vai além do próprio artista. A gratuidade, princípio tão presente na atuação do Sesc, permite que estudantes, famílias, especialistas, turistas e pessoas que nunca tiveram o hábito de frequentar museus compartilhem o mesmo espaço. A arte deixa de ser privilégio de quem pode pagar por ela e passa a cumprir, de maneira mais plena, sua função pública.
O primeiro fim de semana da exposição trouxe uma resposta eloquente: 3,5 mil pessoas visitaram a mostra. Mais do que um número, esse público traduz algo que quis construir com esta exposição: não apresentar um Picasso como um gênio isolado, distante e encerrado em um pedestal, mas revelar o artista inquieto e de invenção permanente, que pintou, desenhou, gravou, esculpiu, trabalhou com cerâmica e transformou continuamente suas próprias ideias.
Sua produção gráfica revela isso de maneira extraordinária. Nas séries de gravuras, podemos acompanhar uma ideia se transformando diante dos nossos olhos. Uma figura é retomada, modificada, invertida, simplificada. Picasso não reproduzia simplesmente uma imagem: pensava através dela.
Da mesma forma, quisemos ampliar o olhar para as pessoas que participaram daquele universo criativo. Dora Maar não está na exposição apenas como companheira ou musa, mas como fotógrafa, pintora e intelectual. Françoise Gilot aparece como artista e escritora. Robert Capa nos aproxima de momentos da vida cotidiana e da construção da imagem pública de Picasso.
Isso também é parte da construção de um gênio: compreender que nenhum artista existe completamente sozinho.
No fim, talvez o verdadeiro luxo desta exposição não seja estar diante de obras que valem milhões, mas sim ter a oportunidade de estar diante delas sem que o preço seja uma barreira. E é justamente aí que a trajetória do Sesc encontra a de Picasso: na capacidade de transformar a arte em uma experiência compartilhada.
Da mesma forma, quisemos ampliar o olhar para as pessoas que participaram daquele universo criativo. Dora Maar não está na exposição apenas como companheira ou musa, mas como fotógrafa, pintora e intelectual. Françoise Gilot aparece como artista e escritora. Robert Capa nos aproxima de momentos da vida cotidiana e da construção da imagem pública de Picasso.
Isso também é parte da construção de um gênio: compreender que nenhum artista existe completamente sozinho.
No fim, talvez o verdadeiro luxo desta exposição não seja estar diante de obras que valem milhões, mas sim ter a oportunidade de estar diante delas sem que o preço seja uma barreira. E é justamente aí que a trajetória do Sesc encontra a de Picasso: na capacidade de transformar a arte em uma experiência compartilhada.