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Claudio Denicoli

Artigo de Opinião

É engenheiro civil e secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente da Serra
Claudio Denicoli

O futuro que nós precisamos é livre de burocracia

Chegamos ao limite: ou o Brasil se livra dos grilhões existentes desde sua colonização ou estaremos fadados a mais violência, fome e desemprego
Claudio Denicoli
É engenheiro civil e secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente da Serra

Publicado em 12 de Dezembro de 2022 às 14:46

Publicado em 

12 dez 2022 às 14:46
Logo após o segundo turno da última eleição, praticamente todos os governadores e o presidente eleito afirmaram em seus discursos que uma de suas prioridades seria a geração de empregos. Louvável. Todavia, para que isso realmente aconteça é imprescindível dar condições para quem os ofereça.
Num depoimento, o presidente Lula afirmou que iria aumentar gastos sociais para diminuir a desigualdade, causando imediata reação no mercado financeiro: dólar disparou e bolsa de valores despencou.
Todos concordam que a desproporção social é nociva, porém é preciso deixar claro de onde virão os recursos para custear esses gastos, sendo que o desenvolvimento sustentável, nos seus três pilares: social, econômico e ambiental, é a solução para esse problema.
Nas últimas décadas é recorrente a reclamação de que a burocracia impede o crescimento, destacando-se o licenciamento ambiental e o alvará de obras que se tornaram os vilões e o pesadelo dos empreendedores.
Bairro José de Anchieta III com morro Mestre Álvaro ao fundo, no município da Serra
Bairro José de Anchieta III com morro Mestre Álvaro ao fundo, no município da Serra Crédito: Luciney Araújo
Chegamos ao limite: ou o Brasil se livra dos grilhões existentes desde sua colonização, rompendo os paradigmas culturais e as ações de país de terceiro mundo e se torna uma grande potência mundial ou estaremos fadados a mais violência, fome e desemprego.
Um exemplo a ser observado é o município da Serra (ES), que inovou, estabelecendo regras claras e objetivas para a implantação de atividades econômicas. É a única cidade do país que emite as licenças de obras e ambiental em um único documento. A fiscalização foi intensificada, priorizando o controle ambiental e urbanístico, que é o ofício dos órgãos reguladores, sendo severa com quem não cumpre as normas pré-estabelecidas.
Resultado disso é que em menos de dois anos o município ultrapassou a Capital no índice de parcela do ICMS, alcançando o maior PIB estadual. Tem batido recordes de geração de oportunidades e atraído inúmeras empresas, inclusive multinacionais. Em 2021, segundo o Ministério da Economia, alcançou a 12ª posição nacional no ranking das cidades com melhor ambiente de negócios.
Ademais, o executivo municipal concluiu a revisão do PDM, com equipe técnica própria da prefeitura, profissionais que conhecem bem o município e suas necessidades. O documento será enviado à Câmara Municipal em janeiro/23, e propõe reduzir os atuais 395 artigos para somente 68!
O aumento do gabarito das construções, do coeficiente de aproveitamento, da taxa de ocupação e a diminuição dos afastamentos, somados à redução para apenas seis zoneamentos, resultarão numa cidade mais adensada e uniforme, mais acessível e segura, com maior mobilidade, com bairros possuindo todas as necessidades para uma excelente qualidade de vida, sem necessidade de grandes deslocamentos, e aproveitando a infraestrutura já existente.
Todo esse trabalho foi discutido e ratificado nas cerca de 50 reuniões, inclusive audiências públicas, envolvendo os diversos setores da sociedade civil, desde ONGs, academias, setores produtivos, vereadores e Ministério Público. É nisso que acreditamos: regras claras e fiscalização intensa.
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