Ao passar dos anos, está sendo verificado um crescimento acentuado na utilização da motocicleta e diversas são as razões para esse fenômeno, sendo as principais a questão da maior mobilidade e o baixo custo de operação.
Aliado a esse crescimento e outros fatores, os acidentes envolvendo motocicletas vêm aumentando ano a ano, tornando-se um desafio para as diversas autoridades.
Estatísticas mostram que as fatalidades envolvendo motociclistas representam mais de 50% das mortes no trânsito capixaba.
A escalada nas mortes de pessoas que utilizam esse veículo é assustadora. No primeiro semestre de 2021 e 2022 tivemos um empate nos óbitos de motociclistas. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp), foram 392 vidas perdidas, sendo 196 no período de cada ano.
Em 2023, apenas nos cinco primeiros meses do ano, esse número já chegou a 171 vítimas fatais. Além de manter a média de 50% do total de mortes no trânsito capixaba, a tendência é que o mês de junho seja fechado com um número parecido ou até superior ao dos dois anos anteriores.
Mas não podemos esquecer das vítimas não fatais que sobrevivem aos acidentes e que ficam debilitadas ou sofrem sequelas pelo resto de suas vidas.
Constata-se que direta ou indiretamente toda a sociedade é impactada por essa violência no trânsito envolvendo o motociclista.
Além das vítimas fatais e dos lesionados, existem também as pessoas diretamente relacionadas a estes, que são a família, os parentes e amigos. E indiretamente a sociedade diante do elevado custo do sistema de saúde e da previdência.
Importante destacar que o sistema trânsito funciona por intermédio de três fatores: a via, o veículo e o condutor, e esses fatores de alguma forma contribuem para o acidente.
As vias podem contribuir para a ocorrência dos acidentes por conta de buracos, imperfeições no pavimento, falta de sinalização, falta de acostamento, entre outras deficiências.
O veículo de duas rodas também pode contribuir para esses acidentes quando apresenta pneus gastos, luzes, faróis e faroletes defeituosos ou desalinhados, sistema elétrico deficiente, suspensão inadequada, rolamentos desgastados, ausência ou deficiência de espelhos retrovisores, sistema de freios deficientes, e qualquer tipo de desgaste que possa prejudicar o desempenho adequado da motocicleta.
Mas fica evidenciado que o condutor, direta ou indiretamente, em combinação com os outros fatores, é o mais importante e o principal responsável pelos acidentes de trânsito. Principal responsável porque, em alguns casos, o condutor não mantém a motocicleta com a manutenção regular, além de conduzi-la de forma perigosa, com falta de atenção, excesso de velocidade, sem habilitação, forçando ultrapassagens, dentre outras irregularidades, ficando assim, vulnerável na via e consequentemente sendo a vítima de um acidente.
Para reduzir essas fatalidades com os motociclistas, é preciso trabalhar a educação para ocorrer uma mudança de comportamento dos condutores.
Mas como essa mudança de comportamento é algo que deve partir de cada um, não podemos ficar esperando que isso aconteça de imediato. Precisamos fazer com que os motociclistas alterem seu comportamento e para isso entram os órgãos fiscalizadores que de forma repressiva atuarão de imediato.