Um conceito é unânime sobre o cenário pós-Covid-19 para o turismo: a incerteza sobre a retomada nos patamares anteriores. O impacto desta crise deve ser analisado considerando atividade econômica, destino e cada segmento turístico específico. Isso porque destinos onde predomina o turismo de negócios serão afetados de forma diferente daqueles onde predomina o de lazer.
Tudo isso combinado com os controles sanitários e do nível de contágio de cada lugar. No Espírito Santo, o turismo responde por 6,9% do PIB e emprega, ou empregava, 166 mil capixabas entre postos diretos e indiretos, representando 8,9% dos trabalhadores no Estado. O segmento foi totalmente afetado.
No que diz respeito à produção de eventos – setor responsável por boa parte do fluxo turístico capixaba –, dados da pesquisa da União Brasileira dos Produtores de Eventos, da Associação Brasileira de Empresas de Eventos e do Sebrae apontam que 98% do setor foi prejudicado no país. O faturamento teve uma redução média de 76% a 100%.
Dessas empresas, 36% preveem a necessidade de demitir colaboradores e estão aproveitando este período de distanciamento social para aprimorar a gestão, fortalecer a relação com o mercado e qualificar a mão de obra.
No turismo de lazer, sabemos que os Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro são os principais emissores de turistas para o Espírito Santo. Quais serão os indicadores desses destinos? Quantas pessoas infectadas? Até quando a crise se estenderá nesses Estados? Será necessário o desenvolvimento de um novo destino?
O momento é de construção coletiva de possíveis ações que impactem na manutenção dos negócios e empregos, na preparação dos empreendimentos para o novo cenário de exigências sanitárias e para um possível novo perfil de turistas, certamente mais exigente com sua proteção.
Nossas belezas naturais e nossa qualidade de vida serão fundamentais, aliadas à capacidade empreendedora do nosso trade e às ações governamentais já implementadas. Não será fácil, mas venceremos e retomaremos nossa posição de destino que cresce e encanta turistas de todo o Brasil e do mundo.
*O autor é secretário de Estado de Turismo