Levantamentos recentes do Dieese indicam que cerca de 10% dos trabalhadores do país estão desempenhando suas atividades em home office. No Espírito Santo, esse estudo aponta que 7% dos trabalhadores capixabas estão atuando nessa modalidade.
Essa situação se deve aos efeitos gerados pelas medidas de distanciamento social, implantadas como forma de conter o avanço do coronavírus. Ao se avaliar essa questão, verifica-se que algumas dessas atividades podem estar nesta modalidade apenas de maneira temporária, e outras, ao que tudo indica, tendem a se tornar permanentes.
Mas essa realidade nos traz alguns questionamentos: qual o futuro do mercado de trabalho? Como devem ficar as relações profissionais nos ambientes de trabalho? Como medir o desempenho profissional naquelas situações consideradas mais sensíveis, sem um contato físico direto com as partes envolvidas?
Somente o tempo vai trazer respostas mais profundas para esses questionamentos. Contudo esse tipo de reflexão também nos faz pensar sobre quais seriam as características de um determinado local, seja no Espírito Santo, seja no Brasil, seja no mundo, para abrigar esse perfil de trabalhadores.
Ao se analisar esse ponto de vista, certamente as respostas passam por temas como meios de comunicação e energia, além da própria qualidade de vida disponível no ambiente e da acessibilidade. Sobre este último ponto, é importante constatar que, mesmo em menor frequência, esse profissional acaba tendo que se locomover, seja para sua nova e reduzida rotina de atividades presenciais, seja para adquirir algum bem ou serviço.
Nesse sentido, percebemos infinitas oportunidades para o Espírito Santo atrair esse perfil profissional, do próprio Estado, do país ou do mundo, especialmente por suas variedades de clima e relevo, contemplando desde áreas litorâneas, quanto de montanhas. Em questões de algumas horas, é possível percorrer todo o Estado.
E, ao se atrair esse perfil de trabalhadores, indiretamente o Espírito Santo acabará contribuindo para a geração de emprego e renda, já que esses profissionais, mesmo que remotamente, também consomem nos locais em que residem. E esse consumo no mercado local, em supermercados, farmácias ou outro tipo de atividade comercial, de alguma maneira acaba gerando mais emprego e renda para este novo “ambiente de trabalho”.
*O autor é vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES)