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Paula Dalla Bernardina

Artigo de Opinião

É advogada especialista em Direito e Processo do Trabalho, Compliance e Gestão de Riscos. Sócia-fundadora do escritório Dalla Bernardina & Seixas Pinto Advogados
Paula Dalla Bernardina

Fim da escala 6x1: as empresas já estão preparadas?

Em alguns setores, como comércio e serviços, a redução de jornada impõe um desafio matemático e financeiro
Paula Dalla Bernardina
É advogada especialista em Direito e Processo do Trabalho, Compliance e Gestão de Riscos. Sócia-fundadora do escritório Dalla Bernardina & Seixas Pinto Advogados

Publicado em 30 de Maio de 2026 às 09:00

Publicado em 

30 mai 2026 às 09:00

O fim da escala 6x1 se aproxima e exige planejamento estratégico empresarial. O relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovado na Câmara e mandado para o Senador, propõe reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, garantindo dois dias de descanso por semana; 60 dias após a promulgação, a jornada cairia para 42 horas; doze meses depois, para 40 horas. 


Todavia, a pergunta que devemos fazer não é apenas se a mudança será aprovada, mas se as empresas estão se preparando para ela.

Em alguns setores, como comércio e serviços, a redução de jornada impõe um desafio matemático e financeiro. Manter o nível de atendimento e produção poderá exigir novas contratações, elevando os encargos da folha ou forçando o repasse de custos ao consumidor final. Por isso, esperar a lei entrar em vigor sem um diagnóstico empresarial prévio transformará a nova regra em sobrecarga operacional, trabalhista e financeira.

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Neste cenário, o risco de maior probabilidade e impacto é tentar manter a demanda anterior na nova jornada sem reestruturação interna. Esse contexto provocará aumento de pressão por produtividade, acúmulo de tarefas, convocações em dias de descanso e horas extras habituais.

Além de inflar custos e provocar reflexos em férias, 13º salário, FGTS e DSR, a prática gerará problemas trabalhistas, como violação ao direito de desconexão, danos morais e assédio moral, por exemplo. 

O risco absenteísmo e de adoecimento, como burnout, também são reais. Caso a empresa insista em manter as funções em jornada reduzida e exija disponibilidade permanente do colaborador, a nova regra, criada para melhorar a qualidade de vida, pode transformar a tentativa de aumentar o bem-estar em vetor de exaustão, conflitos e passivo trabalhista.
Carteira de trabalho Marcelo Camargo/Agência Brasil
Como mitigar, portanto, esses impactos? O primeiro ponto é as empresas já começarem a adotar medidas concretas, tais como: mapear fluxos de trabalho e identificar gargalos; revisar e redimensionar escalas setoriais; pensar na tecnologia como alternativa; estabelecer regras de desconexão e treinar lideranças para gerir produtividade x tempo.

A implementação de banco de horas é uma alternativa, porém, exige segurança: sua implementação deve observar controle e metas claras, servindo para flutuações de demanda e nunca para cobrir permanentemente a falta de pessoal.

Em última análise, o fim da escala 6x1, se aprovado, será um teste de maturidade empresarial. Quem se antecipar e se adequar, com estratégia e previsibilidade, reduzirá riscos e garantirá sustentabilidade. Sua empresa já começou a se preparar?
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