O Brasil enfrenta um cenário econômico desafiador, marcado pelo elevado endividamento das famílias, dificuldades enfrentadas pelas empresas e incertezas que afetam investimentos e a geração de empregos.
A Fecomércio-ES reconhece que o debate sobre melhores condições de trabalho é legítimo e necessário. Porém, esse não é o momento adequado para a votação da proposta que extingue a escala 6x1.
Uma mudança dessa dimensão precisa de diálogo e negociação coletiva, além de levar em consideração os cenários de cada setor e de cada região, não só do Espírito Santo, mas do país. O Congresso Nacional tem a responsabilidade de avaliar os impactos dessa proposta com serenidade e visão de longo prazo.
Estamos juntos com a Confederação Nacional do Comércio (CNC) fortalecendo a campanha “Mudança da escala 6x1. Agora Não”. O Brasil precisa avançar, mas sem colocar em risco milhões de empregos. Neste momento, prudência, responsabilidade e segurança jurídica são indispensáveis.
Alterar de forma abrupta a organização da jornada de trabalho pode produzir efeitos contrários aos desejados, ampliando custos, reduzindo a capacidade de contratação e comprometendo a sustentabilidade de milhares de negócios.
Segundo dados do Observatório Connect da Fecomércio-ES, 60,3% dos empresários capixabas esperam aumento dos custos operacionais caso a mudança seja aprovada, e quase metade deles consideram repassar parte desse impacto aos preços.
Os setores do comércio, dos serviços e do turismo são os maiores empregadores do país. São atividades que funcionam a todo vapor diariamente, atendendo a população em realidades econômicas muito diferentes.
Por isso, não é razoável impor uma regra única para um setor tão diverso. Medidas dessa natureza atingem com mais força as micro e pequenas empresas, responsáveis por uma parcela expressiva dos empregos formais brasileiros.