Imagine se um grupo de amigos resolvesse andar por um determinado caminho e cada um levasse certa quantidade de provisões (água e comida). Durante o trajeto, eles encontram um túnel e resolvem entrar. Todos sabem que nele passava um trem e, portanto, tem um fim.
Em um determinado momento, alguns deles percebem que seus mantimentos estão acabando e ainda não conseguiram sair do túnel. Nesta situação, o que fariam? Compartilhariam seus mantimentos? Passariam a conscientizar o grupo sobre a necessidade de consumir de maneira mais consciente? Eles sabem que o túnel terá um fim e, tão logo, vão encontrar água e comida. Mas a questão que fica é: querem de fato que todos cheguem ao fim da jornada minimamente saudáveis e alimentados?
Este dilema retrata um pouco da nossa situação atual e sabemos que isso tudo terá um fim. Porém, cabe a cada um decidir como quer chegar, e todas as decisões individuais também são fundamentais para a forma como os demais vão chegar ao fim dessa história.
Nesse momento, enfrentamos uma pandemia e suas duras consequências. Mesmo diante de tantas incertezas e angústias, é importante ter em mente que podemos tirar grandes aprendizados dessa experiência que, ao mesmo tempo que é desoladora, desperta a todos nós para um sentimento coletivo que não devemos desprezar.
O pensamento coletivo precisa permear nossos ideais, afim de que possamos contribuir não só para a redução do contágio do coronavírus, mas também promover outras melhorias. Entre elas, podemos destacar o consumo consciente, um valor que pode e deve ser mais compartilhado do que nunca em nossas famílias ou nos grupos de convívio, hoje limitados pelo isolamento social tão necessário e recomendado. Do que realmente precisamos? Em que posso colaborar com meu próximo? Esses são alguns questionamentos que podemos fazer e compartilhar com os demais.
Aliado a isso, é pertinente a prática da educação financeira, em especial nesse período que demanda por cautela pelo bem também da saúde das nossas finanças. Um bom momento para ensinar aos filhos o valor das coisas e como ações conscientes do cotidiano podem fazer a diferença no orçamento de uma família ou qualquer outra organização.
Mas por que apenas nesses momentos de maior fragilidade é que tomamos medidas mais conscientes? Não seria o caso de utilizarmos esse aprendizado também em condições normais, para o nosso próprio crescimento? Vão-se os momentos difíceis, mas ficam os aprendizados. Essa é a melhor ideia.
*O autor é vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES)