O ano de 2020 reserva perspectivas interessantes para a economia do Espírito Santo, especialmente depois de o Estado atravessar um ano fraco em 2019. Os números foram ruins no ano passado. Como já cheguei a abordar neste espaço, o PIB capixaba deve crescer menos (isso é, se chegar a crescer) do que o brasileiro, projetado em tímidos 1,17% de alta.
Mas no fundo, a população, os trabalhadores, o comércio e diversos outros setores, à exceção de alguns ramos da indústria, não sentiram um baque tão grande como no início da crise. O fato de o Estado oferecer um ambiente de negócios organizado e com equilíbrio fiscal ajudou a atravessarmos 2019 sem grandes traumas.
Este ano tende a ser diferente e mais promissor. Muitos investimentos começam a ser tirados do papel. Alguns em fase de obras ao longo de 2020 e outros já com previsão de operar, como é o caso da fábrica de papel da Suzano, em Cachoeiro de Itapemirim, ou ainda a retomada, no final do ano, da operação parcial da Samarco, em Anchieta.
Além disso, projetos que são fundamentais para a infraestrutura do Estado devem ser desanuviados nos próximos meses, como é o caso da BR 262. Ela tem previsão de ser colocada em leilão - em conjunto com a BR 381 (MG) - no segundo semestre de 2020.
Também para este ano devemos ter uma definição, até o segundo trimestre, quanto à renovação antecipada do contrato da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), resolução fundamental para definir o futuro da construção da ferrovia EF 118, que vai ligar Cariacica ao Sul do Estado.
Aliás, este foi um tema cozinhado em 2019 e frustrou algumas expectativas. Ao longo do ano passado, embora declarações tenham sido dadas por membros da equipe do governo federal de que a Vale vai investir R$ 3 bilhões na implantação de um ramal até Anchieta, de concreto não há nada. Ainda não existe, pelo menos de forma pública, nenhum documento que confirme essa intenção. Por isso, 2020 é tão aguardado.
Continuando no âmbito logístico, tem a modelagem para a desestatização da Codesa, esperada para ser concluída no primeiro semestre deste ano. O resultado desse processo é importante para conhecermos quais serão os planos da equipe de Bolsonaro para o Porto de Vitória e o de Barra do Riacho. As decisões sobre esse tema atingem em cheio os interesses capixabas quanto ao objetivo de melhorar a competitividade no comércio exterior. Há anos, o Espírito Santo sofre com uma logística portuária defasada, fator que joga ainda mais peso sobre a urgência de um desfecho favorável.
Razões para acreditar que 2020 pode ser um ano de virada de chave para a economia do Espírito Santo existem. Os fatores locais somados ao otimismo que rodeia o cenário nacional, com juros baixos, reformas e queda do desemprego, dão um tom positivo. Mas é sempre bom lembrar que algumas respostas que dependem da União, como as ligadas à infraestrutura, nem sempre chegam na velocidade prometida. Como início de ano é época de esperanças, vale mais uma vez renovarmos as nossas.