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Mobilidade urbana

Ciclovia: fim de estacionamento é a solução para a Av. Rio Branco?

Projeto proposto pela Prefeitura de Vitória prevê a extinção de cerca de 90 vagas de estacionamento em um dos sentidos da via, o que gerou polêmica entre os moradores da Praia do Canto

Publicado em 05 de Maio de 2019 às 00:26

Publicado em 

05 mai 2019 às 00:26
Ciclovia: fim de estacionamento é a solução para a Av. Rio Branco? Crédito: Amarildo
Oportunidade de se fazer mais com menos
Luiz Carlos Menezes é engenheiro civil, empresário, Conselheiro da ADEMI-ES e do PDU de Vitória
O projeto da prefeitura para a ciclovia da Av. Rio Branco — sobre o asfalto — além de não levar em conta a preferência de moradores e comerciantes, mostra a falta de preocupação com o uso do escasso dinheiro público. É mais um caso em que a burocracia se sobrepõe ao bom senso.
Morador da Praia do Canto há 40 anos, há cinco elaborei a título de contribuição um estudo para implantação da ciclovia no canteiro central, com duas pistas unidirecionais e inteira preservação das árvores. Além dos dados técnicos, o estudo apresenta dezenas de imagens de ciclovias unidirecionais de São Paulo em canteiros centrais, onde ciclistas e árvores convivem perfeitamente. Foi elaborado com base em pesquisas e avaliações (até no exterior) e na minha experiência em projetos. O canteiro da Av. Rio Branco, com 4m, é mais largo do que muitos em SP com ciclovias unidirecionais.
Após a aprovação das Associações de Moradores e do Comércio, apresentei o estudo à prefeitura, sugerindo uma visita de técnicos do setor de projetos viários à São Paulo (são 450km de ciclovias) para conhecerem as variadas soluções técnicas adotadas naquelas ciclovias. Foi em vão! A visita não foi feita.
Na ocasião, a opção pela ciclovia sobre a pista asfaltada já estava decidida nos gabinetes da burocracia municipal. E para “justificá-la” foi produzida uma “nota técnica” (improcedente) na qual consta que “cada ciclovia unidirecional ocupa 1.50m". Uma falácia. Aqui mesmo em Vitória, no início da Av. Saturnino Rangel Mauro, em Jardim da Penha, temos um trecho da ciclovia com duas pistas unidirecionais com 1,20m de largura. A referida “nota técnica” se contrapõe à quase totalidade das ciclovias unidirecionais existentes mundo afora. As de SP têm as pistas com largura de 1.20m, inclusive em canteiros bem mais largos.
Aqui, em vez de um planejamento mais elaborado, com soluções pontuais na passagem por algumas árvores como foi feito em SP, optou-se por um desenho único para toda a ciclovia.
Quanto à perda de vagas de estacionamento (92), considero até menos prejudicial do que o estreitamento de toda a pista no sentido Ponte Ayrton Sena/Santa Lúcia; uma deformação do projeto urbanístico do Engº Saturnino de Brito. As manobras nos cruzamentos também serão prejudicadas. Isso, além do transtorno (poeira, barulho, etc.) que a obra sobre o asfalto irá causar ao tráfego, moradores e comerciantes. Faz até lembrar a Av. Leitão da Silva! Penso que o nosso prefeito está sendo induzido a cometer um equívoco que poderá custar caro.
Estudei esse caso vendo uma oportunidade de se fazer mais com menos. O dinheiro público que deixaria de ser gasto com uma obra mais cara poderia ser empregado na execução do trecho de ciclovia que falta para interligar a Praça dos Namorados ao Hortomercado.
Por oportuno, reitero a sugestão de uma visita à duas ciclovias de SP de grande visibilidade — Avenidas Paulista e Faria Lima — com vários trechos em pistas unidirecionais em pleno funcionamento.
Projeto é o mais viável e mantém as árvores
Isabella Batalha Muniz Barbosa é arquiteta urbanista, doutora em Paisagem e Ambiente (USP)
Os princípios norteadores do urbanismo de vanguarda residem na potencialização do espaço público associada a uma mobilidade mais eficiente, respaldados pela legislação e planos de desenvolvimento. A Política Nacional de Mobilidade (Lei nº 12.587/2012) estabelece diretrizes que reforçam a priorização do transporte coletivo e dos não motorizados com incentivo à adoção de energias renováveis, o que exige deslocamentos mais eficientes e saudáveis. Se a função de circular está prejudicada, a cidade em todas as suas dimensões também fica comprometida.
A Região Metropolitana da Grande Vitória não se exime dessa complexa mobilidade que se explicita no trânsito intenso e no transporte coletivo de baixa qualidade, além da restrita potencialização e integração entre os diversos modais. Como alternativa, as pessoas estão aderindo à bicicleta com aumento gradativo de estudantes e trabalhadores circulando em meio às ruas.
Nesse contexto, a Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) amplia a malha cicloviária e divulga a construção da Ciclovia Rio Branco, importante eixo de ligação entre a Ponte Ayrton Sena e a Av. Leitão da Silva. Com 1,8 km de extensão, a ciclovia irá proporcionar uma conectividade direta e retilínea entre bairros. Para tanto, a PMV promoveu estudos com base em critérios técnicos e na legislação pertinente, além de debates com ciclousuários para melhor desempenho e inserção do projeto no tecido urbano.
Considerando o trecho da Praia do Canto, a existência de um canteiro central com largura de 3,90m e 72 árvores ao centro com raízes afloradas que extrapolam para o piso, cujo espaço livre médio entre a gola de árvore e meio fio é de no máximo 99cm, condicionantes que inviabilizam o projeto de duas ciclovias unidirecionais para cada lado. A largura mínima exigida pela legislação de forma a garantir a segurança do ciclista é 1,50m (largura útil + sinalização + gradil). Portanto, a PMV optou pelo desenho projetual de uma única ciclovia com largura de 2,70 m (ida e volta para dois ciclistas) em apenas um dos lados do canteiro central, mantendo a arborização sem mexer no deslocamento da gola e raízes.
As duas faixas de rolamento para veículos seriam mantidas em ambos os sentidos, apenas com eliminação de uma das faixas de estacionamento no sentido Praia do Canto/Santa Lúcia, o que favorece um trânsito mais fluido. A ciclovia segue pelo canteiro central do bairro Santa Lucia sem maiores interferências.
Moradora do bairro Praia do Canto há 50 anos e arquiteta urbanista, respaldo o projeto da prefeitura, por ser o mais viável tecnicamente, além de manter todas as árvores, garantindo a segurança do ciclista com dimensões adequadas, criando tempos semafóricos para travessia de pedestres. A partir de um diagnóstico preciso com cotas e outras medidas, evita-se improvisação do projeto urbano e arbitrariedades, posto que envolvem recursos materiais e financeiros, e a perspectiva de melhoria da condição de vida cidadã. Viver a rua, o bairro, a cidade, exige também um olhar fraterno e gestos que estabeleçam vínculos mais equitativos com o coletivo da cidade.

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