Na manhã desta quarta-feira (12), o Vaticano, através do Papa Francisco, divulgou o Documento Final do Sínodo para Amazônia. Para a imprensa e a mídia de massa, a pauta do chamado “viris probatis” seria a grande decisão do Papa Chico, mas o documento mostra que o celibato não era o miolo da reunião dos bispos, mas a “Querida Amazônia”.
À luz das discussões, a ordenação de homens casados passou a ser uma possibilidade da Igreja para construir ponte e fazer chegar a Eucaristia àqueles que não a recebem como a Igreja deseja e prega.
Por outro lado, Francisco não se omite diante do tema, mas responde com discernimento, afinal, o cuidado do papa é reformar a Igreja sem provocar nela uma divisão. Logo, Francisco atende a um clamor que descentraliza o clericalismo e deixa que os ministérios respondam a necessidade dos povos amazônicos. Para Francisco, neste momento, a saída é a missão.
Alessandro Gisotti, do Vatican News, destaca que Francisco chama a atenção para a “inculturação do ministério” sobre a qual a Igreja deve dar uma resposta “corajosa”. Francisco exorta todos os bispos, especialmente os latino-americanos, “a serem mais generosos”, orientando-os que “demonstram vocação missionária” a escolher a Amazônia e os convida a rever a formação dos presbíteros.
Por outra vertente, a atitude de Francisco funciona como uma resposta àqueles que achavam que a pauta da reunião dos bispos era o celibato. Nota-se que o documento está pautado e concentrado nos desafios ecológicos, sociais e pastorais. O celibato é um tema que precisa ser discutido e pontuado, mas a Igreja é, sobretudo, ministerial e missionária.
A vértebra do documento é sustentada por quatro grandes desejos: que a Amazônia “lute pelos direitos dos mais pobres”, “que preserve a riqueza cultural”, que “guarde zelosamente a sedutora beleza natural”, e que, por fim, as comunidades cristãs sejam “capazes de se devotar e encarnar na Amazônia”. Para o papa, é urgente ouvir o “grito da Amazônia”. Escreve que existem fortes interesses não somente locais, mas também internacionais. A solução, portanto, não é “a internacionalização” da Amazônia; ao invés, deve crescer “a responsabilidade dos governos nacionais”.
Outra passagem significativa de “Querida Amazônia” é sobre a inculturação da liturgia. O pontífice constata que já o Concílio Vaticano II havia solicitado um esforço de “inculturação da liturgia nos povos indígenas”. Além disso, recorda numa nota do texto que, no Sínodo, “surgiu a proposta de se elaborar um 'rito amazônico'". Os Sacramentos, exorta, “devem ser acessíveis, sobretudo aos pobres.
Por fim, Francisco destaca que é preciso “ampliar horizontes para além dos conflitos” e deixar-se desafiar pela Amazônia a “superar perspectivas limitadas” que “permanecem enclausuradas em aspectos parciais”. Se dirigindo à Nossa Senhora, o Papa Jesuíta denuncia os mesquinhos que estão destruindo a Casa Amazônica por interesses mesquinhos, e conclui pedindo: toque a sensibilidade dos poderosos!