Edna Barretto Santos, de 36 anos, assassinada por um vizinho após ser atraída para ir ao apartamento dele em Feu Rosa, na Serra, perdeu o marido em 2021 e deixa uma filha de cinco anos, que faz acompanhamento psicológico por não aceitar a perda do pai. As informações foram dadas pela irmã da vítima, na manhã desta quinta-feira (16). "Com ela não tinha tempo ruim", contou para A Gazeta, emocionada, enquanto aguardava para liberar o corpo da irmã no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória.
A irmã da vítima pediu para não ser identificada, mas disse à reportagem que a irmã gostava de viver a vida intensamente, mesmo com as dificuldades e o fato de estar sem emprego.
"Todo final de semana saía com filha para passear, com ela não tinha tempo ruim. Pode entrar rede social dela, ela estava sempre se divertindo, mesmo com toda dificuldade de ter perdido o marido, ela tentava dar o melhor para a filha dela, conforme as condições que ela tinha. Ela tinha muitos amigos, muitos!", declarou.
Segundo a irmã, Edna queria arrumar um emprego para "dar o melhor para a filha", visto que a criança está em tratamento psicológico por não aceitar a morte do pai, assassinado há menos de dois anos.
"A menina (filha de Edna) não sabe ainda que a mãe morreu, não pode contar porque ela entra em desespero, porque ela não vive sem a mãe dela, não fica dez minutos sem a mãe dela"
A mulher disse que agora espera Justiça. "Que ele pague em vida ou com a morte". Segundo a irmã, o homem nunca tinha ameaçado Edna, mas a dona de casa havia sido informada por uma conhecida de que o indivíduo queria ficar com ela. "Ela não queria ele. Só não conseguiu sair dele porque ele tinha mais de 100 quilos, um armário, era enorme", finalizou.
Morte da irmã
Edna Barretto Santos, de 36 anos, foi atacada e morta a facadas por Gabriel Felipe Campos, de 28 anos, dentro do apartamento dele, na tarde de quarta-feira (15), em Feu Rosa, na Serra.
A irmã contou que soube do caso quando a sobrinha ligou para ela perguntando da mãe. "Perguntei onde a minha sobrinha estava e ela disse: ‘Estou com a minha avó’. E eu disse que ela (irmã) estaria trabalhando, porque fez uma entrevista e pedi para falar com a avó", relembrou.
A sogra de Edna contou por telefone que a vítima não estava trabalhando e não foi buscar a criança após as aulas durante a tarde. "Quando cheguei na esquina (da casa da irmã) já tinha um monte de polícia, o Samu e já torci para não ser ela. Falei: ‘Não, tomara que não seja na casa dela’ e, quando virei, era em frente a casa dela.
Dinâmica do crime
O homem ainda tentou fazer outra vítima, moradora do segundo andar e dona da residência em que ele era inquilino, mas ela conseguiu fugir. Segundo a Polícia Militar, o homem teria usado drogas antes de cometer o crime.
De acordo com apuração do repórter Eduardo Dias, da TV Gazeta, o crime aconteceu em um prédio residencial. Testemunhas contaram que Edna morava no terceiro andar, e o suspeito no primeiro.
Para atraí-la, ele pediu ajuda, dizendo que a esposa estava passando mal. Quando ela entrou para tentar prestar algum auxílio, foi capturada e levou seis facadas.
Após fazer a primeira vítima, o suspeito chamou uma vizinha do segundo andar, também com a história de que a esposa estava passando mal. Quando ela chegou na porta, ele a puxou pelo pescoço, mas a moça conseguiu escapar e gritou por ajuda. Ainda segundo testemunhas, quando a segunda vítima pediu socorro a vizinhos, o suspeito se trancou em casa e tomou vários remédios.
Por nota, a Polícia Militar informou que os militares conseguiram acessar o interior da residência por uma janela e visualizaram em cima de uma cama o corpo da mulher, ensanguentado.
"Já o homem estava caído no chão desacordado e com vários remédios ao lado do corpo e pinos de cocaína. No local, foram apreendidas uma faca e uma tesoura, também sujas de sangue", disse a corporação. O suspeito foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192) até um hospital da região.
Ainda de acordo com a Polícia Militar, o Samu atestou o óbito da mulher de 36 anos e socorreu o acusado para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, sob escolta. A corporação informou que testemunhas relataram que populares teriam agredido o acusado, que retornou para o interior do imóvel, onde foi encontrado desacordado. A perícia foi acionada e a ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil.
A Polícia Civil informou que o suspeito de 28 anos foi conduzido à Delegacia Regional da Serra, autuado em flagrante por homicídio qualificado mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou impossibilite a defesa do ofendido, cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (feminicídio) e tentativa de homicídio qualificada por motivo fútil, cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (tentativa de feminicídio).
Ele segue internado sob escolta no Hospital e será encaminhado ao sistema prisional assim que receber alta médica, segundo a corporação.
Conforme a Polícia Civil, o corpo da vítima foi encaminhado para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, para ser necropsiado e, posteriormente, liberado para os familiares.