Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Todas Elas
  • Grupos religiosos produzem vídeos para combater violência contra a mulher no ES
Pacto pela vida

Grupos religiosos produzem vídeos para combater violência contra a mulher no ES

Iniciativa do Fordan, da Ufes, mobiliza universidades, igrejas e sociedade no “Pacto pela Vida das Mulheres”, ampliando redes de apoio e prevenção

Publicado em 26 de Março de 2026 às 12:34

Nicoly Reis

Publicado em 

26 mar 2026 às 12:34
Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) lançou um projeto que reúne lideranças religiosas no enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa integra o “Pacto pela Vida das Mulheres” e aposta na atuação das igrejas e de grupos religiosos como parte da rede de apoio às vítimas, ampliando o alcance das ações para além da universidade.
Coordenado pelo programa de extensão Fordan, o pacto também envolve representantes da universidade e da sociedade civil, com o objetivo de fortalecer redes de acolhimento e incentivar a ruptura de ciclos de violência.
Com a utilização de campanhas audiovisuais exibidas nos restaurantes universitários da Ufes, o projeto passou a alcançar milhares de pessoas diariamente. Na edição anterior, voltada ao público masculino, a ação impactou cerca de 30 mil usuários. Agora, o foco está nas mulheres, com conteúdos produzidos por diferentes representantes sociais, incluindo lideranças religiosas, professoras, estudantes e profissionais que atuam no acolhimento.
A estratégia prevê que esses conteúdos circulem também fora da universidade, chegando a espaços religiosos e comunitários. “É um movimento de ida e volta. O vídeo que passa na Ufes vai para a igreja, e o que é produzido na igreja volta para a universidade”, destaca a coordenadora do projeto, Rosely Pires.
Grupos religiosos produzem vídeos para combater violência contra a mulher no ES

“A mulher merece ser respeitada naquilo que deseja”

A participação de lideranças religiosas é considerada um dos pilares do projeto, especialmente pelo papel que essas instituições exercem como rede de apoio nas comunidades. O pacto reúne representantes de diferentes tradições — como igrejas evangélicas, lideranças católicas e de religiões de matriz africana —, além de profissionais da universidade e da rede de acolhimento, ampliando o alcance das ações.
Em vídeo divulgado na campanha, a freira Rita Cola manifestou apoio à iniciativa a partir da frente católica. Segundo a missionária agostiniana, sua prioridade de atuação está voltada à formação de jovens, crianças e famílias, com foco na valorização da dignidade humana.
A religiosa avalia que a sociedade ainda é marcada por relações de dominação e alerta para a naturalização da violência. “Vivemos em uma sociedade terrivelmente dominadora. O homem acha que a mulher não pode nem mais pensar em se separar, porque ele mata. Não é por aí o caminho”, afirma.
Não é porque ela é mulher que precisa ser submissa a qualquer coisa que o homem queira — nem no serviço e nem na convivência familiar.
Rita Cola - Freira
Ela defende que o respeito à autonomia feminina deve ser central nas relações. “A mulher merece ser respeitada em seus desejos”, diz.

“As escrituras não autorizam a violência”

Para o pastor Usiel Carneiro, da Igreja da Praia, na Praia do Canto, em Vitória, a atuação das igrejas deve estar alinhada à promoção da dignidade humana. Segundo ele, a igreja deve ser uma resposta ao sentido da vida humana e não pode admitir a violência como forma de relação, especialmente contra as mulheres. O pastor também avalia que a sociedade ainda é marcada por uma lógica patriarcal que precisa ser revista e transformada.
Pastor Usiel chama a atenção ainda para o uso indevido de textos religiosos para justificar desigualdades. De acordo com ele, quando as Escrituras são utilizadas para reforçar o machismo, a misoginia e outros preconceitos, há um desvio da vocação das instituições religiosas, que deveriam promover a dignidade e a libertação das pessoas.
O pastor defende que há interpretações que valorizam a mulher e respeitam a vida humana, alinhadas ao que considera o verdadeiro ensinamento do Evangelho. Nesse sentido, reforça que as igrejas devem atuar como espaços de acolhimento.
Estamos e sempre estaremos prontos a oferecer apoio a mulheres que precisem, tenham ou não sido vítimas diretas de violência, e que desejam uma visão mais saudável de si mesmas e precisam de encorajamento para romper com ciclos de violência.
Usiel Carneiro - Pastor da Igreja da Praia
A mensagem também foi reforçada por mulheres da congregação, que destacaram que as escrituras não autorizam a violência nem sustentam discursos de misoginia. “Somos cristãos e cristãs a favor da vida. Estamos aqui para expressar nossa indignação diante dos índices de violência contra as mulheres. Que isso acabe”, afirmaram.
Além do acolhimento, o projeto busca promover uma mudança cultural mais ampla, especialmente em contextos marcados pelo patriarcalismo. A proposta é estimular reflexões sobre o papel dos homens e das instituições na reprodução ou no combate à violência.
Nesse sentido, envolver lideranças religiosas — muitas vezes referências diretas nas comunidades — é estratégico. A expectativa é que esses atores contribuam para desconstruir discursos que naturalizam a violência e fortaleçam mensagens de respeito e igualdade.

Outros apoiadores

Além das lideranças religiosas, o projeto conta com o apoio de diferentes núcleos da Ufes, como o Centro de Educação Física e Desportos, o Centro Tecnológico, a Pró-Reitoria de Políticas de Assistência Estudantil e a coordenação dos Restaurantes Universitários.
A iniciativa também envolve equipes vinculadas ao Fordan, como o núcleo de assistência jurídica, além de parcerias com projetos externos, como o Mulheres Defensoras Populares — desenvolvido em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Justiça.
Nos vídeos da campanha, são abordadas pautas como o incentivo à ocupação de espaços de trabalho por mulheres, a garantia de condições seguras para permanência nos estudos e a identificação de sinais do ciclo de violência, que muitas vezes se manifestam antes da agressão física, inclusive por meio de falas e comportamentos abusivos.

Como nasceu o projeto

Criado há mais de duas décadas, o Fordan atua diretamente no atendimento a mulheres em situação de violência, acompanhando denúncias, encaminhando casos à rede de proteção e monitorando a responsabilização de agressores. Ao longo desse percurso, o programa também passou a influenciar políticas públicas, adaptando estratégias de comunicação e acolhimento para alcançar mulheres em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas com menor acesso à informação.
De acordo com a coordenadora Rosely Pires, a experiência acumulada revelou um dado central: antes de buscar o sistema de Justiça, muitas mulheres recorrem à família e à religião. “Quando a gente cruza isso e percebe que essas mulheres continuam em situação de violência, fica evidente que essas redes precisam ser fortalecidas como espaços de apoio, e não de silenciamento”, explica.
Foi a partir dessa constatação que surgiu o pacto, que busca envolver diretamente instituições religiosas no enfrentamento à violência. A proposta é ampliar o diálogo e promover ações de conscientização, utilizando uma linguagem acessível e próxima da realidade das comunidades.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
O direito de morrer com dignidade: uma conversa difícil, mas necessária
Fórum Criminal de Vitória
Ex-jogador senta no banco dos réus por crime de homicídio no ES
Sede da Apex Partners na Praia do Suá, Vitória.
Debêntures da Apex estão nas mãos de poucos (e grandes) investidores

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados