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CEO aos 13 anos

CEO aos 13 anos, capixaba transforma hobby em vendas para todo o país

Brinquedos, porta-figurinhas e chaveiros são apenas alguns dos produtos criados e vendidos pelo jovem em suas redes sociais

Publicado em 04 de Junho de 2026 às 14:47

Nicoly Reis

Publicado em 

04 jun 2026 às 14:47

Enquanto muitos adolescentes usam a internet apenas para entretenimento, Miguel de Arruda Paste, de 13 anos, utiliza planilhas para calcular custos, administra pedidos online e cria produtos personalizados vendidos para diferentes Estados do país. Dono da “Tudo em 3D”, o morador da Serra transformou a curiosidade por robótica em um pequeno negócio próprio.


Hoje, entre a impressora 3D funcionando por horas e encomendas feitas pela internet, Miguel aprende na prática conceitos de empreendedorismo e educação financeira antes mesmo de entrar no mercado de trabalho.


“Tem gente que entrega a planilha pronta, mas eu fiz a minha própria planilha. Eu coloco o peso do produto e o tempo de impressão dele, e ela já me entrega quanto de energia eu gasto e qual é o custo total. A partir disso, eu precifico”, conta.


O interesse pela impressão 3D surgiu enquanto Miguel desenvolvia projetos de robótica. Sempre que precisava de peças específicas, como rodas, bases ou suportes, precisava comprar os materiais pela internet — e esperar pela entrega dos pedidos.


“Eu pensei que, como em alguns projetos precisava comprar alguma base ou estrutura em plataformas, acabava desanimando um pouco ter que esperar chegar. Aí falei: ‘Talvez a impressora possa me ajudar a criar essa carcaça, essa estrutura para os projetos. E talvez consiga vender uma coisa ou outra pra ganhar uma renda extra e pagar a impressora também’”, relembra.

Miguel Arruda é um adolescente empreendedor que usa impressora 3D
Miguel Arruda usa impressora 3D para criar produtos de diferentes tipos. Fernando Madeira

Segundo a mãe do adolescente, Ana Paula de Arruda, Miguel apresentou a ideia já com um planejamento definido. Parte do valor da impressora saiu das próprias economias do jovem e o restante foi dividido com ajuda da família.


“Quando ele veio nos contar a ideia, já estava com tudo planejado na cabeça. Ele gastaria todo o dinheiro que tinha, nós parcelaríamos o restante e ele tentaria vender alguns produtos para conseguir pagar as parcelas da impressora”, conta Ana Paula.


O que começou apenas como suporte para os projetos de robótica rapidamente se transformou em um novo hiperfoco. “Quando a impressora chegou, eu fiquei tão apaixonado por isso que até esqueci um pouco da robótica momentaneamente. Mas sempre tive interesse por engenharia, por criar coisas”, diz Miguel.

Hiperfocos, curiosidade e altas habilidades 

Miguel possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e altas habilidades. Segundo a mãe, ao longo da infância ele sempre apresentou interesses intensos por diferentes áreas do conhecimento.


“Com o tempo os interesses foram se alterando: dinossauros, Harry Potter, super-heróis, França, mitologia grega, astronomia, olimpíadas de conhecimento… Até a língua japonesa já foi objeto de interesse”, relata Ana Paula.


Ainda criança, o adolescente chegou a ler mais de 150 livros em apenas um ano. Também publicou um livro infantil chamado “Miguel e o Pé de Feijão” e conquistou medalhas em olimpíadas de matemática, astronomia, língua inglesa e geopolítica. Agora, a impressão 3D se tornou mais um desses interesses, mas, desta vez, aliado ao empreendedorismo.


No início, Miguel utilizava a impressora apenas para produzir peças ligadas aos próprios projetos. Pouco tempo depois, percebeu o potencial comercial da ferramenta. “No início era mesmo para os projetos. Só que, quando eu vi a capacidade que ela tinha, pensei: ‘Ah, deixa eu tentar vender algumas coisas aqui’”, conta o jovem.


As primeiras vendas vieram em datas comemorativas. “Primeiro vieram os produtos de Natal. Eu comecei com a impressora em outubro do ano passado, e as coisas de Natal vieram num boom. Vendi bastante coisa”, relata. 


Depois dos itens natalinos, surgiram novos produtos e ideias. Entre eles, kits infantis personalizados para pintura. “Eu imprimia tudo branco, colocava canetinha, e a criança pintava. Alguns vizinhos até pediram kits com a foto da própria pessoa. Aí eu pegava a foto e fazia o kit personalizado.”


Hoje, os produtos mais conhecidos da loja são os porta-copos temáticos e as caixas para figurinhas. Durante a Copa do Mundo, os itens ligados ao futebol impulsionam as vendas. “O produto que eu mais vendi foram as caixinhas da Copa”, afirma.

Produtos vendidos para outros Estados

Com o crescimento das vendas, os produtos da Tudo em 3D passaram a chegar a diferentes regiões do país. Grande parte das encomendas é feita por plataformas de e-commerce. Entre os itens mais procurados, estão porta-copos nas cores de diferentes times de futebol brasileiros.


Segundo ele, vender pela internet foi fundamental para expandir o alcance da marca. “A Shopee, por mais que tenha algumas taxas extras e eu ganhe menos do que na venda presencial, ajuda muito a expandir o negócio. Às vezes eu não conseguiria vender para o Norte ou Nordeste sem ela.”


Atualmente, além de futebol, Miguel cria produtos inspirados em cultura geek, filmes, séries e até igrejas históricas do Espírito Santo. Muitas ideias surgem a partir de objetos que ele gostaria de ter ou presentear.


“No último Natal, ele queria dar de presente um conjunto de porta-copos do Star Wars. Foi daí que nasceu a ideia dos porta-copos que ele fabrica hoje”, lembra a mãe.

Aprendizados além das vendas

Miguel Arruda com os pais, Leonardo Arruda e Ana Paula Arruda
Os pais Leonardo e Ana Paula dizem que Miguel ganhou maturidade graças à Tudo em 3D. Fernando Madeira

Apesar da pouca idade, Miguel já entende conceitos importantes sobre organização financeira e planejamento. “Acho que tem muita gente que não tem essa educação financeira e acaba, quando vai para a vida real, sofrendo muito. Então, acho importante ter essa educação financeira”, explica. 


Além da parte financeira, o adolescente afirma que o trabalho ajudou no desenvolvimento da paciência e da comunicação. 

Tem produto que demora nove horas para ficar pronto, mesmo sendo pequeno. Então, você aprende a esperar, camada por camada, crescendo aos poucos. Também ajudou na socialização. Em oferecer o produto, conversar com as pessoas e ir adquirindo essa habilidade de vender.

Miguel de Arruda Ceo da Tudo em 3D

Segundo Ana Paula, a família percebeu mudanças importantes no comportamento do filho desde o início do projeto. “A gente notou muita evolução do Miguel em termos de maturidade e também em lidar com algumas limitações. Ele aprendeu sobre frustração quando algum projeto dá errado, além de planejamento e organização”, analisa a mãe.


Já o pai, Leonardo de Arruda, explica que todos os feitos do filho são um incentivo para o futuro. “Algo que tento deixar claro é que, hoje, ele tem a gente como apoio. Ele não precisa considerar a 'Tudo em 3D' como renda para pagar contas. Quando estiver mais maduro, já vai ter todo esse aprendizado”, conta. 

Apoio da família e preparação para o futuro

Mesmo conciliando escola, cursos, atividade física, olimpíadas de conhecimento e momentos de lazer, Miguel consegue encaixar os projetos da empresa na rotina. Enquanto ele estuda, os pais ajudam em diferentes etapas do negócio, desde a compra de materiais até a venda dos produtos em feiras do condomínio e pontos de troca de figurinhas.


“Nós sempre apoiamos todos os interesses do Miguel. Sempre junto com ele, dando o apoio necessário, ajudando a organizar e guiando para que seja algo leve e sem pressão”, afirma Ana Paula.


Para a família, o resultado da experiência vai muito além das vendas. “A gente fica feliz de saber que o Miguel está com um foco diferente, se preparando para o futuro”, declara a mãe.


E, apesar da rotina de pequeno empreendedor, Miguel garante que a motivação continua simples: “É achar uma coisa que você gosta e aproveitar essa felicidade que tem fazendo para ganhar esse dinheirinho extra.”

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