Esses projetos deverão ser detalhados nesta quinta-feira (19) por executivos da companhia, que vão participar de evento no Palácio Anchieta, em Vitória, com o governador do Estado, Renato Casagrande (PSB).
A nova fábrica deverá produzir papel higiênico, papel toalha e outros itens dentro da linha chamada de tissue. Sobre a indústria de celulose já existente, há a expectativa de que a Suzano modernize a planta do Norte, aumentando a sua produtividade. Também são esperadas obras em Portocel, conforme revelaram fontes.
A reportagem não teve acesso ao volume de recursos de cada negócio, mas considerando o aviso de pauta enviado pelo governo do Estado na noite desta quarta-feira à imprensa, os investimentos que serão tratados no Palácio são da ordem de R$ 1 bilhão.
“O Espírito Santo receberá R$ 1 bilhão de investimentos e melhorias ambientais”, diz um trecho do material enviado pela assessoria do governo, deixando no ar se essas melhorias ambientais teriam relação com a fábrica de bio-óleo, que é um projeto da Suzano para a produção de biocombustível, ou se fazem parte do próprio projeto de modernização das unidades.
As novidades são fruto, ainda segundo o comunicado oficial, da lei que regula o uso de créditos de ICMS pelas empresas exportadoras do Estado. A legislação - aprovada em junho deste ano - prevê que as companhias que enviam seus produtos para o exterior possam utilizar os créditos de ICMS acumulados na compra de equipamentos e na negociação para pagamentos de impostos e multas. Ela condiciona ainda que, para uma empresa usufruir desse mecanismo, é preciso apresentar um plano de investimentos ao Executivo.
Na época da aprovação da lei, a coluna chegou a publicar que essa iniciativa do governo capixaba poderia destravar mais de R$ 1 bilhão em investimentos e que um dos principais projetos que eram esperados para deslanchar era justamente o da fábrica de papel da Suzano, podendo inclusive acontecer em um município do Sul capixaba.
Ainda na ocasião, uma fonte declarou que “a partir do anúncio, a operação deveria levar aproximadamente dois anos e meio para iniciar” e que seriam gerados cerca de 1.500 empregos diretos e outros 3 mil indiretos.
Outro sinal de que a companhia estava disposta a ampliar sua atuação no Espírito Santo foi dado em maio deste ano, quando o então gerente de Relações Governamentais e Comunicação da Suzano, Pedro Torres, falou sobre o futuro da empresa após a fusão com a Fibria, que aconteceu em março de 2018.
“A fusão da Fibria com a Suzano traz mais uma possibilidade que não existia antes aqui, que é o negócio papel. Uma das vantagens é que temos 100% da matéria-prima, diferente dos nossos concorrentes que precisam comprar no mercado”, declarou à época ao citar que a crescente demanda da China por papel criava grandes oportunidades no setor.