Sete pessoas estão presas e duas são procuradas pela Polícia Civil pelo sequestro-relâmpago de um influenciador e investidor de 30 anos, ocorrido em 11 de junho deste ano. Segundo a corporação, o grupo conseguiu levar cerca de R$ 20 mil em criptomoedas após render a vítima, que estava em um carro de luxo em Jardim Camburi, em Vitória.
Durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (9), o chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro, explicou que a vítima teria chamado a atenção do grupo por causa da exposição nas redes sociais. Os dois procurados foram identificados como Samuel Camilo dos Santos, de 23 anos, e Ana Julia da Silva, de 21.
“Ela tinha ampla exposição, atuava no mercado de criptomoedas e utilizava muito as redes sociais. Isso, provavelmente, chamou a atenção dos indivíduos para praticar o crime e tentar obter uma vantagem financeira. Para isso, eles planejaram o crime por cerca de um ano e queriam lucrar R$ 5 milhões”, contou Monteiro.
Ao longo de aproximadamente um ano de planejamento, os suspeitos teriam dividido as funções para executar o crime.
Segundo Gabriel Monteiro, Adilson de Jesus Neves Junior, de 37 anos, e Osmar de Azeredo Nunes, de 39, são apontados como líderes da associação criminosa e teriam participado do monitoramento da vítima.
No dia do crime, Adilson estava em um HB20 e, segundo a investigação, parou o veículo para obstruir a passagem do Porsche. Atrás estava um Celta dirigido por Samuel, no qual também estavam Enoque Pereira Leal Filho, de 30 anos, e Osmar.
Os dois últimos desceram do veículo para abordar o investidor, enquanto Samuel também participou da ação. Osmar assumiu a direção do Porsche e os demais seguiram com a vítima no Celta.
O grupo levou o investidor para uma área de mata em Jardim Carapina, na Serra, onde Erlan Josme de Oliveira Alves, de 37 anos, também teria participado da ação. Segundo a Polícia Civil, a vítima foi obrigada a realizar uma transferência de aproximadamente R$ 20 mil em criptoativos. A expectativa dos envolvidos era conseguir até R$ 5 milhões.
Segundo a investigação, Ana Julia acompanhava a movimentação das forças de segurança e repassava informações aos demais integrantes. Já Laís de Jesus Teles, de 27 anos, recebeu e repassou parte do dinheiro transferido.
A vítima conseguiu fugir depois que o pai rastreou o celular do filho e acionou a Polícia Militar, provocando uma movimentação policial na região. O investidor deixou a área de mata e encontrou uma equipe da PM.
A Polícia Civil também identificou uma estratégia que teria sido montada pelo grupo para tentar dificultar a investigação e desvincular dos suspeitos o Celta utilizado no crime.
“O Celta estava no nome de um homem chamado Irlan Miguel de Souza Laranjeira, de 25 anos. Ou seja, ele já sabia que a polícia iria chegar até ele. Então, juntamente com um homem chamado Wilian Henrique Guimarães Gomes, de 30 anos, planejaram que iriam informar que o Wilian havia pegado o carro emprestado e sido vítima de um roubo, para dificultar o nosso trabalho, porque a gente poderia pensar que o carro não tinha nada a ver com esse grupo”, informou o delegado.
Segundo a polícia, Irlan chegou a procurar a corporação e apresentou a versão planejada. Wilian, porém, acabou sendo preso pela Polícia Militar no mesmo dia do sequestro, em uma ocorrência envolvendo drogas. A partir da análise do celular apreendido com ele, os investigadores avançaram na identificação dos envolvidos.
“Também conseguimos, por meio do Cerco Inteligente, localizar, em alguns momentos, filmagens deles monitorando a vítima", detalhou Monteiro.
Além da análise do aparelho de Wilian, a Polícia Civil informou que Enoque confessou participação no crime.
O rastreamento dos criptoativos transferidos durante o crime foi outra frente da investigação. Segundo a Polícia Civil, foram transferidos cerca de 3.700 USDT por meio da rede Tron, utilizada para transações em blockchain. O nome da operação policial, “Tron”, faz referência à rede utilizada na transferência.
Segundo o delegado Gianno Trindade, as transações com criptomoedas geram registros que permitem o rastreamento dos valores. Com autorização judicial e quebra do sigilo financeiro, os investigadores conseguiram chegar à corretora utilizada e identificar os titulares das carteiras que receberam os recursos.
“A criptomoeda é rastreada. Ela vai gerar uma chave, um código de segurança, tipo uma digital alfanumérica. Por meio dessa digital alfanumérica, conseguimos rastrear, mediante autorização judicial e quebra do sigilo financeiro, quem recebeu e quem foram os beneficiários sucessivos”, explicou Gianno Trindrade.
Adilson foi identificado como o primeiro destinatário do dinheiro e, segundo a investigação, depois distribuiu os valores para Laís, Enoque, Erlan e Osmar. Os dados financeiros foram cruzados com mensagens e informações de localização para identificar a participação dos investigados.
Segundo a Polícia Civil, parte dos investigados possui passagens anteriores, mas a corporação não detalhou quais deles. Samuel Camilo dos Santos e Ana Julia da Silva permanecem procurados. Os demais investigados estão presos, sendo que seis deles foram detidos durante a Operação Tron, deflagrada em 27 de agosto, e Wilian já estava preso.